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Diário do Cine PE 2014: Wes Anderson e mais dez curtas

Luiz Zanin Oricchio

27 de abril de 2014 | 13h25

RECIFE – A sessão de abertura do Cine PE foi exaustiva. Discursos de abertura e mais uma maratona de dez curtas-metragens para começar. Depois de um intervalo, o longa O Grande Hotel de Budapeste, de Wes Anderson, que inaugura, assim, a “fase”internacional do evento do Recife

Bom, quem diz dez curtas diz dez discursos de agradecimentos. Assim, a sessão no Cine Teatro Guararapes foi terminar já na madrugada do domingo. Palmas para o público, que não debandou e ficou em grande número para ver o longa. Calculo que havia umas 1500 pessoas na sala, que comporta 2,4 mil.

O que vimos de curtas?
Na Mostra Pernambucana:
Tesouros do Araripe: os Fósseis e a Comunidade, de Tito Aureliano
Au Revoir, de Milena Time
Pontas de Pedros e Pedras, de Hermano Figueiredo
Severo, de Danilo Baracho e
Rabutaia, de Brenda Lígia

Desses, destaco Au Revoir, que já havia visto por aí, talvez em Gramado. Ou Brasília, sei lá. Filmado no Brasil, como se fosse em Paris. Uma garota brasileira estuda na França e se preocupa com notícias da mãe, que estaria doente no Brasil. Começa a ajudar uma vizinha, que está também com problemas de saúde, num óbvio processo de transferência afetiva. Feito com delicadeza.

Os curtas-metragens da Mostra Nacional:
O Filho Pródigo, de Felipe Poroger
Linguagem, de Luiz Rosemberg Filho
No Tiro do Bacamarte…Explode a Cultura Pernambucana, de Xisto Ramos
No Movimento da Fé, de Fernando Segtowick e Thiago Pelaes
Notícias da Rainha, de Ana Johann

Aqui, bons destaques para O Filho Pródigo, que conta sua história com liberdade narrativa.

Linguagem, de Luiz Rosemberg, usa um criativo processo de colagem de imagens para fazer um filme-denúncia e político, coisa rara hoje em dia.

No Movimento da Fé, bonito e impressionante registro sobre os bastidores do Círio de Nazaré, a tradicional procissão com mais de 300 anos de história.

Notícias da Rainha também inova a retratar essa personagem paranaense de modo intimista, não-linear e inovador.

Quanto a Wes Anderson, fiquei agradavelmente surpreso. Acho seu cinema às vezes maneirista demais, flertando com o exibicionismo estético, o que lhe sobrecarrega a narrativa. Aqui, sem abandonar o estilo, Anderson conduz o espectador por uma trama fascinante, cheia de bom humor e tiradas inteligentes. Bela trilha sonora. É adaptação livre de alguns textos de Stefan Zweig, que morreu em Petrópolis, como se sabe.

Hoje a maratona prossegue com menos curtas (três) mas, em compensação, três longas (!) noite adentro. São eles: O Mercado de Notícias, de Jorge Furtado, Getúlio, de João Jardim (fora de concurso) e um documentário português chamado 1960. Já vi os dois primeiros, mas quero rever, se tiver forças para tal.

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