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Diário do Cine PE 2012 Paraísos Artificiais

Luiz Zanin Oricchio

28 de abril de 2012 | 13h20

 

Como costuma acontecer (há exceções) as entrevistas coletivas fazem mais esconder o filme que revelá-lo. Foi o que se passou na coletiva de Paraísos Artificiais, de Marcos Prado. A autocongratulação entre atores, diretor e jornalistas pouco acrescentou à compreensão de um filme de proposta ousada, porém com problemas de decolagem, como acontece com certos aviões.

Prado tenta um mergulho no universo jovem, das drogas, das raves. (Bem, ele mesmo diz que o termo rave é inadequado, pois este designa uma festa por tempo limitado, enquanto o que os jovens frequentam os festivais de música eletrônica, vários dias, em regiões paradisíacas, festas muito intensas, com muita droga e bebida.)

Enfim, o filme se divide entre o Rio, nordeste brasileiro e Amsterdã, com a condução da protagonista Erika (Nathalia Dill), no papel de uma DJ.

O filme, cujo título se deve a Baudelaire, tem muitas cenas de sexo, entre homem e mulher e entre mulheres, uso de drogas e conflitos familiares. Não abandona, no entanto, apesar dessa “temática” forte, um certo plano de voo de baixa altitude, talvez com vistas a um diálogo mais fácil com o público. E também de baixa profundidade. De fato, a impressão que se tem é de superficialidade.

No entanto, é muito bem filmado – mais uma vez por Lula Carvalho, que trabalha muito e bem, seguindo os passos do pai o consagrado Walter Carvalho. Quer dizer, o filme tem qualidade, é muito bem filmado, mas ressente-se de uma visão um tanto epidérmica da juventude, de sua relação com as drogas ou com o sexo. No próprio debate foi abordado o tema da juventude, essa geração ultraplugada, que atende pelo nome de “geração T (de testemunha), que posta tudo no twitter ou no Face no momento mesmo que o está vivendo. Aconteceu na sessão do filme no Cine Teatro Guararapes. Acontece o tempo todo. Talvez se pudesse fazer uma relação entre essa sensação opressiva de viver um eterno presente e o uso de drogas, mas não se fez.

Muita coisa fica no ar e, no desfecho, que óbvio não citarei, tudo parece bem arrumadinho demais, todas as pontas são unidas e não se dá um respiro para que o espectador tire suas próprias conclusões. Por isso, por mais que o filme às vezes “ameace” ser bom, acaba não passando de um plano mediano.

Acho que foi pouco pensado.

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