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Diário do Cine PE 2012 Corda Bamba

Luiz Zanin Oricchio

01 de maio de 2012 | 16h08

RECIFE – Interessante o filme infanto-juvenil de Eduardo Goldenstein, baseado no livro de Lydia Bojunga. A sinopse de Corda Bamba é básica: Maria é uma garota nascida no circo, filha de equilibristas, que, por uma determinada circunstância, precisa ir morar com a avó. Por algum motivo, ela se esquece do seu passado, que irá refazer aos poucos.

O universo é onírico e, por ser circense, felliniano. Investe na travessia de fantasias e medos infantis e é muito bonito visualmente. Um pouco soturno, como costumam ser as fábulas infantis. Quem acha que a infância é um paraíso cor de rosa é porque esqueceu da sua.

Na entrevista, perguntei a Goldenstein a que público Corda Bamba se destinava e ele respondeu que o filme se via em camadas. Quer dizer, adultos podiam fazer uma leitura, e crianças, outra. Acredito nisso. Mas não basta eu acreditar. Aliás, não vale nada. A prova dos noves será no circuito comercial, com um público já viciado em obras menos sutis e refinadas que esta.

Acho que, com a quantidade de referências espalhadas (Fellini, Bergman, etc), Corda Bamba pode satisfazer a cinéfilos. Crianças ou jovens nem têm esse repertório e nem mesmo se preocupam em decodificar as coisas. Mergulham nelas (se for o caso) e gostam ou não conforme as sentem. Acho que, como o filme toca em fantasias inconscientes relativas a um trabalho de luto, pode dar certo.

Veremos. A vida anda dura no Brasil para quem procura ser sutil.

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