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Diário do Cine Ceará 2012: Tropicalismo Now e etc

Luiz Zanin Oricchio

03 de junho de 2012 | 09h01

FORTALEZA – Boa segunda noite de competição no Cine Ceará, apesar das cadeiras históricas do Theatro José de Alencar, que nos deixam descadeirados.

Curta: Querença, de Iziane Filgueiras Mascarenhas. A moça fez um discurso longo no palco (tinham de limitar o tempo, mas o filme é bom. Opressão das mulheres no cangaço, num caso de triângulo amoroso. Foto ótima, concepção um tanto convencional da narrativa, talvez um tanto longo para um curta (cerca de 20′).

Longa estrangeiro: o guatemalteco Distância, de Sergio Ramirez toca pela narrativa singela, com a história do pai separado da filha pela guerra civil e que se vai reunir com ela 20 anos depois. Um tanto tosco, é verdade, mas passa autenticidade, se você tiver paciência.

Futuro do Pretérito, de Ninho Moraes e Francisco César Filho. Filmaço esse documentário sobre o Tropicalismo, que se aproveita como linha condutora de um espetáculo de André Abujamra no Oficina. O Tropi está na moda. Em filmes como uma Noite em 67 e Tropicalismo, de Marcelo Machado, que abriu o É Tudo Verdade. Na polêmica entre Caetano Veloso e Roberto Schwarz. Aliás, o filme de ontem coloca matiz, ouvindo vozes dissonantes com as de Sérgio Carvalho, da Companhia do Latão, e do sociólogo e escritor Marcelo Ridenti. Ao abrir a música para o pop, o Tropicalismo não contribuiu para a massificação da arte, para sua mediocrização contemporâne?  A discussão é política, como se observou pelas ressonâncias entre Caetano e Schwarz. Mais capítulos pela frente, e esse Tropicalismo Now poderá contribuir para alimentá-los. O filme é energético e cheio de música e ideias. Bom demais.

 

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