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Diário do Cine Ceará 2012: Femininas e plurais

Luiz Zanin Oricchio

06 de junho de 2012 | 08h02

Rânia, da diretora Roberta Marques, teve ótima recepção de público. Certo, é filme da terra e já conta com a galera a favor. Isso descontado, deve-se reconhecer que tem méritos. É uma história de alma feminina e dirigido com delicadeza.

A personagem-título é Rânia (Graziela Félix), garota que mora em Fortaleza e sonha virar bailarina. Vive com a mãe e seu pai é um pescador, que não quer nem ouvir falar em sonhos “disparatados”, como viver no exterior ou dançar profissionalmente. Zizi é a melhor amiga de Rânia e já teve experiência fora de casa, na Itália. Trabalha numa casa noturna, onde pole dance e farra convivem com a prostituição. A terceira personagem feminina é Estela (Mariana Lima), bailarina sofisticada que já viveu em Nova York e chega a Fortaleza para fundar uma escola.

A diretora Roberta Marques, que vive entre o Brasil e a Holanda, de fato dirige o filme com mão leve. “Acho que existe hoje a possibilidade de discutirmos um cinema feminino, feito com sensibilidade feminina, sem que isso pareça meio bobo; vivemos um momento de afirmação das mulheres no mundo, o que não significa o desejo de apagar a identidade masculina, mas apenas de expressar a nossa.” Há homens com alma feminina. Chico Buarque foi citado na conversa. E também Walter Salles, já que é dele uma reconhecida influência de Rânia – a do filme Terra Estrangeira, “o melhor do Waltinho, para mim”, diz a diretora.

A ligação se dá pela imagem de um casco de navio encalhado, que existe de fato na costa de Fortaleza e remete à imagem do barco em Terra Estrangeira. Uma imagem de desolação, de pensamento e reavaliação, “um tempo de repouso na história”, diz a diretora. É um trabalho de fato sensível, que não hesita em tocar em questões delicadas como a prostituição de menores, mas o faz com sutileza e empatia com as personagens.

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