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Diário do Cine Ceará 2012: epílogo com vitória de Violeta Parra

Luiz Zanin Oricchio

11 de junho de 2012 | 09h56

Violeta foi para o Céu era a opção mais segura do júri e, por isso, a cinebiografia da autora de Gracias a la Vida e Volver a los 17, dirigida por Andrés Wood,  foi a vencedora do 22º Cine Ceará. É, de fato, um belo trabalho e sua escolha para melhor filme evita o risco e prefere o porto seguro da qualidade.

Violeta ganhou ainda os troféus Mucuripe de roteiro e montagem, mas, paradoxalmente, foi vítima da maior injustiça do festival – a não premiação da atriz Francisca Gavilán, que dá corpo, alma e voz à sua Violeta Parra e é, sem dúvida, o ponto mais forte do filme de Woods. Francisca foi preterida pela iniciante Graziela Felix, protagonista do longa cearense Rânia. Um bom trabalho, sem dúvida, e a Graziela caberia um destaque como atriz revelação, mas achar que seu trabalho é superior ao de Francisca só se explica como um afago do júri ao público local. Essa concessão foi a maior fraqueza dos jurados.

A Febre do Rato deu a Claudio Assis o Mucuripe de melhor diretor e a Jorge Du Peixe o troféu de melhor trilha sonora. O filme, centrado na figura do poeta Zizo (Irandhir Santos) e sua libertária comunidade, já se havia consagrado em Paulínia no ano passado. Desta vez, a repercussão foi menor. No entanto, reconheceu-se a excelência do trabalho de diretor de Assis e a trilha sonora ousada, em consonância com o filme. A fotografia deslumbrante em preto-e-branco, de Walter Carvalho foi ignorada. Assim como a performance de Irandhir, sem comparação.

O júri preferiu premiar a fotografia do documentário basco Bertsolari; já o troféu de melhor ator ficou com Luis Ziembrowski pelo filme argentino Um Amor, de Paula Hernandez. Não são prêmios disparatados, mas refletem mais o caráter distributivista do júri que um critério de premiação rigoroso. Para o ousado mexicano Prazo de Validade sobrou o troféu de melhor som, e o Mucuripe de melhor direção de arte coube ao equatoriano Em Nome da Filha. Isso para que não saíssem sem nada, como aconteceu com o brasileiro Tropicalismo Now e com o guatemalteco Distância.

Discordando do júri oficial, o prêmio dado pela crítica, representada pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), elegeu como melhor longa o mexicano Data de Validade, de Kenya Márquez, e o curta de animação Dia Estrelado, da pernambucana Nara Normande.

Os prêmios para curtas-metragens, pelo júri oficial foram para Os Lados da Rua, de Diego Zon (melhor filme), Santas (direção, de Roberval Duarte) e Realejo (roteiro).

O resumo da ópera é que o Cine Ceará 2012 apresentou a melhor seleção de longas dos últimos anos. Não havia nenhum grande filme, mas todos foram interessantes. Já a seleção de curtas deixou a desejar. Apenas na última noite de competição apareceram os melhores, como Dizem que os Cães Vêem Coisas, de Guto Parente e A Galinha que Burlou o Sistema, de Quico Meirelles, ambos ignorados pelo júri. Meirelles ainda ganhou o Prêmio Aquisição do Canal Brasil. Foi um bom festival.

(Caderno 2)

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