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Diário do Cine Ceará 2012: a hora delas, o México

Luiz Zanin Oricchio

06 de junho de 2012 | 08h07

Para se comprovar que a hora é das mulheres na direção, outro dos fortes concorrentes do Cine Ceará é dirigido pela mexicana Kenya Márquez, com seu longa Prazo de Validade. Um filme estranho, magnificamente fotografado, e que lembra o ambiente surrealista do maior cineasta do país, Arturo Ripstein. Há aqui, claro, um diálogo também com Luis Buñuel, que não por acaso filmou no México durante a juventude e escolheu esse país para passar seus últimos anos.

Prazo de Validade é uma comédia de humor negro, desenvolvida a partir de um acontecimento inquietante. Um rapaz, que vive com sua mãe idosa, um dia desaparece. A senhora (interpretada pela grande atriz Ana Ofelia Murguía) percorre hospitais e necrotérios atrás do corpo. Dando asas à imaginação, desconfia que sua nova vizinha, Mariana (Marisol Centeno), pode ter alguma coisa a ver com o sumiço do filho.

Dessa trama, através de uma linguagem visual rebuscada e às vezes hiper-realista, a diretora tira um retrato cruel da pequena burguesia mexicana, um ambiente de Dickens, confinando com a pobreza. Às vezes cruel, outras doce, e sempre intenso, o filme encanta os que apreciam um cinema diferente, fora dos padrões. Quem também brilha no elenco é o ator Damian Alcazar, no papel de Centeno, trambiqueiro de mil profissões, apaixonado por Mariana. Quem veio a Fortaleza representando o filme foi a jovem atriz Marisol Centeno. Ela diz que a obra provoca estranheza nos festivais por onde passa por conta do humor negro. “Para nós é muito natural”, diz sorrindo, “em nosso país a festa dos mortos é uma espécie de carnaval, temos vocação para o humor negro.”

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