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Diário de Veneza: O Último Terrestre

Luiz Zanin Oricchio

09 de setembro de 2011 | 19h21

O terceiro italiano em concurso agradou ao público. Adaptação de uma história em quadrinhos do cartunista Gipi, Último Terrestre mostra alienígenas que desembarcam na Itália e encontram o país em ruínas – é a sensação que muitos dos italianos mais conscientes têm, nesse aparente ocaso do longo reinado Berlusconi. Pacinotti, estreante em longas-metragens, não esconde a alusão: “Truffaut dizia que era preciso tratar com respeito os personagens maus. Mas não sei se ele conhecia a classe dirigente italiana atual”.

O registro buscado por Pacinotti é o cômico, mostrando ETs que passam a se integrar a diversos estratos da sociedade italiana. Uma deles, ou melhor, uma delas, torna-se uma excelente dona de casa, com boa mão para prepara macarrão al dente para o seu hospedeiro. Um dos intérpretes é o grande ator italiano Roberto Herlitzka (intérprete de Aldo Moro em Bom Dia, Noite, de Marco Bellocchio), que se torna companheiro da alienígena, mas não consegue controlar sua vocação de bebedor e mulherengo.

Outras situações se alternam, mostrando traços racistas e a intolerância de base em relação aos que são diferentes. A alusão parece bastante clara, neste momento em que a Itália sofre para integrar imigrantes de diferentes etnias em seu tecido social. “Mas antes de tudo, é uma boa história”, esquiva-se Pacinotti” diante de interpretações sociológicas ao seu filme.

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