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Diário de Veneza (3) Tornatore

Luiz Zanin Oricchio

03 de setembro de 2009 | 07h43

Acabei não gostando muito de Baarìa, de Giuseppe Tornatore. É um épico daqueles que mostram três gerações de uma família siciliana. E através dela, a história da Itália. Do fascismo, passando pela Segunda Guerra, o engajamento comunista, o fim das ilusões, etc. O problema, a meu ver, é o tom adocicado do filme, a trilha sonora bombástica de Ennio Morricone, aqueles cacoetes de “filme de qualidade destinado ao grande público”. Acabou tendo uma recepção fria na sessão para jornalistas, a maioria deles, claro, italianos. Era um filme muito esperado, embora seu caráter de block buster já indicasse a direção que iria tomar. Custou 25 milhões de euros, um senhor orçamento, com milhares de extras, etc. Produzido pela Medusa, empresa de Silvio Berlusconi.

Aliás, Berlusconi andou dizendo que era o melhor filme que havia visto nos últimos tempos, o melhor talvez, e que iria recomendá-lo a toda a população. Um jornal perguntou a ele o que achava do personagem, que se torna comunista para combater a injustiça social. Respondeu o Cavaliere: “Ah, mas esse era um comunista com ideais. Ele faz a sua opção, mas, depois de visitar a União Soviética, volta cheio de dúvidas com o que viu lá.”

Talvez o fato de ser produzido pela Medusa seja a explicação para a existência dessa cena no filme. Pode – hipótese, hein? – ter sido uma espécie de pedágio ideológico a ser pago para que a produção se viabilizasse.

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