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Diário de Veneza 2013 – primeiras anotações

Luiz Zanin Oricchio

28 de agosto de 2013 | 15h45

Começa o diário de mais um festival. Você já sabe onde estou, já leu as matérias de abertura que escrevi para C2 e aqui transcrevi, então vamos adiante.

Foi muito ruim a apresentação de As Maos sobre a Cidade, em praça pública, no Campo de San Polo. Muita água, chuva incessante, e um frio inesperado. Ficamos lá esperando, e nada. Resolvemos jantar. Na volta, passamos de novo pelo Campo. A sessão rolava, para quatro gatos pingados. Recompensados por uma cópia impecável dessa obra-prima do cinema político. Que, soubemos ontem nos jornais, quase nao foi lançado ao público. Um dignatário da DC, a Democrazia Cristiana dos anos 60, prometeu recompensar o produtor pelo que havia gastado e com mais uns trocados para engavetar o negativo ou, ainda melhor, queimá-lo. O filme trata da aliança entre a especulação imobiliária e a máfia. Pelo que você vê, o mundo não mudou tanto assim.

Hoje de manhã assisti Gravity, de Alfonso Cuarón, que tem seus momentos e um subtexto interessante. Não é o novo 2001, como já tentavam nos vender. Longíssimo disso. O cinema de Kubrick era de pensamento, coisa proscrita hoje em dia, em particular em super produções.

Depois vi Venezia 70 Reloaded, 70 filmetes de 60 a 90 segundos, para comemorar as sete décadas do festival mais antigo do mundo. Três brasileiros comparecem: Karim Ainouz, Walter Salles e Julio Bressane. Como era de se esperar, há alguns melhores do que outros, mas o todo é muito cansativo.

Agora à noite, me divido entre um filme da Orizzonti, um chinês do qual não tenho qualquer referência e O Salário do Medo, na versao de William Friedkin, que leva este ano o Leao de Ouro pela carreira. O Salaire de la Peur, do Clouzot, eu adoro. Este, acho que nunca vi. E, se vi, esqueci. Vou jantar e decidir.

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