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Diário de Veneza 2012 Traição

Luiz Zanin Oricchio

31 de agosto de 2012 | 19h22

Yzmena (Betrayl) é um estranho filme russo, dirigido por Kirill Serebrennikov. Vamos chamá-lo por seu nome, Traição, porque é dela que se trata, desse que é um dos mais antigos e recorrentes assuntos do cinema, desde que ele surgiu. Em meio a essa, digamos assim, banalidade, Kirill tenta ser original.

O próprio Kirill, em pessoa, se esforça em parecer original. Quando lhe perguntam se vê reflexos Dostoievski em seu filme, ele responde que respeita, porém detesta o escritor de Os Irmãos Karamazov e Crime e Castigo. ” O homem russo não é um personagem de Dostoievski” , diz. ” Talvez eu seja mais influenciado por Gogol do que por ele”. Mesmo aproximações com cineastas não o agradam. Falou-se em Veneza no parentesco de Traição com algumas obras de Hitchcock, David Lynch ou Antonioni. Apenas uma confissão: o amor a Bergman. ” Vi filmes como Fanny e Alexander, e Gritos e Sussurros, e eles mudaram minha vida”, diz.

Sente-se pouco, no entanto, uma das grandes virtudes de Bergman, que é o aprofundamento sensível do personagem. Em que pesem seus méritos, Traição mostra uma certa frieza que, se não compromete, ao menos relativiza seu impacto sobre o espectador.

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