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Diário de Veneza 2012 outra atrações

Luiz Zanin Oricchio

29 de agosto de 2012 | 06h12

O Fundamentalista Relutante, de Mira Nair, que abre o Festival de Veneza e não disputa prêmios, está na companhia de vários outros filmes nas mesmas condições, mas que, nem por isso, despertarão menor atenção no Lido. Isso porque vários dos hors concours vêm assinados por nomes badalados. São os casos de Bad 25, de Spike Lee, Clarisse, de Liliana Cavani, Carmel e Lullaby to My Father, ambos de Amos Gitai, The Company You Keep, de Robert Redford, e Witness: Libya, de Michael Mann. O mitológico Manoel de Oliveira, aos 104 anos, manda ao Lido seu novo opus – O Gebo e a Sombra.

Mann nem poderia mesmo competir, pois é o presidente do júri principal, formado também por Marina Abramovic, Laetitia Casta, Peter Ho-Sun Chan, Ari Folman, Matteo Garrone, Ursula Meier, Samantha Morton e Pablo Trapero.

A principal homenagem de 2012 será ao veterano Francesco Rosi, um dos expoentes do grande cinema político italiano. Rosi receberá um Leão de Ouro pela carreira e verá exibido na principal vitrine do festival, a Sala Grande, seu clássico O Caso Mattei, em cópia restaurada. Rosi é autor de alguns dos principais filmes italianos dos engajados anos 60 e 70, como Bandido Giuliano (1962), que exerceu grande influência sobre o Cinema Novo e, em especial, sobre Glauber Rocha. É diretor também de As Mãos sobre a Cidade (1963), Lucky Luciano (1973), Cadáveres Ilustres (1976) e A Trégua (1997), este baseado no livro autobiográfico de Primo Levi. Saído do neorrealismo, o cinema desse autor, nascido em Nápoles em 1922, se detém sobre a relação do homem com seu meio social. É político até a medula e não sabe pensar-se fora desse âmbito.

O Caso Mattei, com Gian Maria Volonté no papel principal, fala Do esforço da empresa estatal italiana do petróleo, a ENI, para se firmar em meio aos interesses das muito mais poderosas sete “irmãs” do ramo petrolífero. Seu presidente, o nacionalista Enrico Mattei (1905-1962), em sua luta contra o oligopólio petrolífero, chegou a buscar apoio da União Soviética, em plena Guerra Fria. Morreu num acidente aéreo envolto em suspeita de atentado.

A O Caso Mattei, juntam-se outros filmes antigos e de grande interesse, em cópias restauradas, na seção Venezia Classici. Alguns são bem manjados, como Crepúsculo dos Deuses (1950), de Billy Wilder, Fanny e Alexander (1982), de Ingmar Bergman, e Stromboli (1950), de Roberto Rossellini, com a divina Ingrid Bergman como a refugiada que se casa com um pescador. São filmes conhecidos, sim, e disponíveis em DVD. Mas como resistir a vê-los numa tela grande, em excelentes cópias restauradas? Outra atração imperdível dessa sessão será, sem dúvida, Portal do Paraíso, de Michael Cimino. Cimino, outro dos homenageados do festival.

Há outras raridades à espera do cinéfilo, como Camicie Rosse (Camisas Vermelhas, 1952), de Goffredo Alessandrini e Francesco Rossi, com Anna Magnani e Raf Vallone, ou Tell me Lies (1968), de Peter Brook, A Décima Vítima (1965), de Elio Petri, entre outros. Enfim, um cardápio de dar água na boca. Resta saber se será possível servir-se desse generoso bufê ao longo da maratona proposta pela Mostra. Mesmo enxuta, ainda é, pelo menos, uma meia-maratona. L.Z.O.

 

O Afinador

O Afinador, de Fernando Camargo e Matheus Parizi, é o solitário representante brasileiro no 69º Festival de Veneza. Concorre na seção Horizontes, de caráter mais experimental, entre os curtas-metragens. Conta a história de Paulo, um jovem afinador de pianos que trabalhar na oficina de luthier do pai. Seu desejo é tornar-se concertista

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