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Diário de Veneza 2011: Terraferma

Luiz Zanin Oricchio

05 de setembro de 2011 | 12h01

Terraferma, de Emanuele Crialese, provou comoção ao abordar um dos temas mais quentes da Itália em crise – a política de imigração. Traz entre seus intérpretes, alguém que de fato viveu a experiência trágica de lançar-se ao mar, naufragar e não ser ajudada durante 21 dias de agonia. Anos atrás, tentando alcançar a Itália um barco de imigrantes ficou à deriva e dezenas de pessoas morreram na costa de Lampedusa. Apenas quatro se salvaram, ela sendo a africana Timnit T. a única mulher. Crialese ficou chocado com o fato, que lhe inspirou o filme, muitíssimo aplaudido na sessão de imprensa, realizada na sala Darsena (1300 lugares).

Crialese narra pelo ponto de vista de um jovem filho de pescadores, Nino (Giuseppe Fiorello), que sai à pesca com o avô. Encontrando náufragos em perigo, o avô os recolhe e leva à terra, pagando preço alto pelo ato de caridade. Nada simplista, Terraferma expõe os sentimentos contraditórios dos italianos sobre a imigração. A temperatura esquentou quando uma senhora tentou defender a legislação mais dura com os imigrantes clandestinos. Foi contestada por Crialese, que lembrou o passado de emigração da própria Itália, como uma realidade histórica recalcada. “Não somos racistas”, disse às lágrimas o jovem intérprete de Nino, aplaudido de pé.

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