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Diário de Veneza 2011: os melhores estão fora da mostra principal

Luiz Zanin Oricchio

07 de setembro de 2011 | 08h25

Até agora o festival apresenta bom nível, mas nenhum dos concorrentes encantou. Nenhum deles rugiu como Leão, para usar a gíria local para o filme que apresenta pinta de vencedor. No entanto, alguns trabalhos em mostras paralelas ou fora de concurso têm mantido acesa a chama do festival.

É o caso, por exemplo, de Cut, filme difícil de classificar, talvez o mais violento libelo contra a desumanização do cinema que já tenha sido feito. De Amir Naderi, expoente do cinema novo iraniano, o filme denuncia o cinema comercial, feito apenas por dinheiro e que estaria roubando a alma verdadeira dessa arte. É uma história exemplar, com jeito de metáfora. Shuji é um cineasta e cinéfilo apaixonado. Descobre que o irmão, que financiara alguns dos seus filmes, era membro da Yakuza e fora assassinado por não pagar dívidas. Shuji herda o seu débito e encontra a maneira mais incrível de pagá-la, dando, literalmente, a cara para bater. Num determinado momento, que não convém esclarecer muito, aparece uma lista dos cem maiores filmes de todos os tempos. Entre eles, dois brasileiros: Pixote, de Hector Babenco, e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, de Glauber Rocha. “Era filme para estar na competição principal”, disse o veterano crítico Michel Ciment, da francesa Positif.

Outro caso é o de La Folie Almayer, de Chantal Akerman, adaptação de um relato de Joseph Conrad, com os traços estilísticos da diretora belga: longos planos, ação rarefeita, diálogos literários. Ambientado no Sudeste Asiático, tem no desgarramento do homem ocidental diante do Outro o seu tema preferencial. A versão de Akerman é brilhante.

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