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Diário de Veneza 2011: No divã do Cronenberg

Luiz Zanin Oricchio

03 de setembro de 2011 | 12h30

A Dangerous Method aborda com precisão, sensibilidade e compreensão seu tema, os anos de solidificação da psicanálise, envolvendo um trio de personagens, Freud, Jung e Sabina Spielrein. Sigmund Freud (Viggo Mortensen) inventou a psicanálise. Carl Gustav Jung (Michael Fassbender) foi um dos seguidores de Freud, era tido como seu sucessor, mas romperam e ele trilhou caminho próprio. Sabine (Kiera Knightley) é menos conhecida. Russa, internada na clínica de Zurich onde Jung trabalhava, foi sua paciente, depois amante, e voltou para a Rússia onde desenvolveu extensa carreira como analista, até ser fuzilada junto com dois filhos, pelos nazistas.

O que se pode dizer do filme é que Cronenberg coloca entre parênteses seu gosto pelo grotesco e o dirige da forma a mais sóbria possível. Capta um momento preciso da aventura psicanalítica, quando a teoria já não era mais novidade, porém enfrentava ainda (como enfrenta até hoje) resistência em setores da medicina. Freud quer limitá-la ao campo científico. Jung tem tendências místicas, que procuram relativizar o fator sexual, para Freud a pedra fundamental do edifício teórico. Rompem. Entre os dois, Sabine, que representa, para Freud, o mistério feminino, e para Jung o desafio da própria sexualidade. Talvez outra atriz, com mais sex appeal, funcionasse melhor. Mas esse é um detalhe. O filme é tratado de maneira límpida, luminosa, com imagens como as de um quadro de Vermeer.

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