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Diário de Veneza 2011: Monica e o desejo

Luiz Zanin Oricchio

03 de setembro de 2011 | 12h38

Sexualidade à flor da pele é o que não falta a Monica Bellucci, pivô da história de amor trágico de Un Été Brûlant.Ela é a atriz Angèle, que vive com o pintor Frederick (Louis Garrel). A eles se une outro casal de amigos, e os quatro passam juntos um verão em Roma, cheio de revelações e decisões fatídicas. Monica, esplendorosa, é fotografada como o foi Brigitte Bardot em O Desprezo.Não é a única referência ao filme de Godard, mas esse culto ao corpo da mulher, esculpido pela luz, é um dos mais saborosos clichês da nouvelle vague, da qual Garrel é herdeiro e praticante tardio.

Un Été Brûlant transita entre os polos do amor e da amizade. A relação que se estabelece entre Paul (Jérôme Robard) e Frédéric (Louis Garrel) encontra paralelo na cumplicidade entre Angèle (Bellucci) e Elizabeth (Céline Salette). Mas o que ressalta é mesmo a afinidade entre os dois homens. Natural: Philippe Garrel dedica seu filme a um amigo morto e diz que o fez como uma espécie de trabalho de luto. Seu próprio pai, o ator Maurice Garrel, falecido em junho aos 88 anos, aparece em uma cena. É um filme de mortes e mortos, mas também de vida, erotismo, amizade e amor.

Agora, é bom avisar: a fotografia é esplendorosa. Acho que 90% do encanto do filme desapareceria numa cópia digital.

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