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Diário de Veneza 2011: Mar de Gente, o filme-surpresa

Luiz Zanin Oricchio

08 de setembro de 2011 | 11h06

Já se murmurava pelo Lido que era a maldição do filme surpresa, aquele concorrente secreto, inscrito à última hora e que nem consta no catálogo. Bem, este ano foi o chinês Ren Chan Ren Hai, que os italianos rebatizaram Mare di Gente.A primeira sessão programada, pela manhã, não aconteceu porque a cópia não tinha legendas e, por mais que o diretor Marco Müller tente, os italianos ainda não são fluentes em chinês. Foi postergada para o começo da noite. Depois de uns 30 minutos de projeção, um cheiro de queimado espalhou-se pelo interior da Sala Darsena. Ora, não precisa muita coisa para semear o pânico entre 1300 pessoas. Assim, a sessão foi interrompida e o público saiu trotando pelas portas de emergência. O corpo de bombeiros chegou e descobriu um prosaico curto-circuito numa das lâmpadas. Foi o suficiente para esvaziar a sessão.

Sorte que Mar de Gente (vamos adotar a solução de título à italiana?), de Cai Shangjun, é bom. Mostra uma China dura, de submundo e violência, como talvez só houvéssemos vislumbrado em alguns trabalhos de Jia Zhang-Ke. A história é a de um crime e uma vingança. Logo no início um rapaz é assassinado a facadas. Crime brutal, um latrocínio. A história toda é de como o irmão da vítima, o brutamontes Lao Tie, sai à procura do assassino, pouco confiante na eficiência da polícia para encontrá-lo.

Violento, Mar de Gente é. Uma violência justificável no contexto da trama, sem dúvida. A maneira como Cai Shangjun filma é envolvente. Seca, em panorâmica, com planos sequência frequentes, não poupa detalhes pouco fotogênicos. É um filme que parece sem direção de arte – e isso é um elogio.

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