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Diário de Veneza 2011: Brasileiros no Lido

Luiz Zanin Oricchio

01 de setembro de 2011 | 10h28

Este ano o Brasil participa do Festival de Veneza com dois longas-metragens: Girimunho, de Clarissa Campolina e Helvécio Marins, de Minas Gerais, na mostra Horizontes, e Histórias que Só Existem Quando Contadas, de Julia Murat, nas Jornadas dos Autores (Giornate degli Autori). Ambas são mostras paralelas.

Mais uma vez o Brasil deixa de concorrer ao Leão de Ouro, o único dos três grandes prêmios do cinema europeu que o País não tem. Já ganhou a Palma de Ouro em Cannes com O Pagador de Promessas e o Urso de Ouro em Berlim duas vezes, com Central do Brasil e Tropa de Elite. Em Veneza ainda não faturou o prêmio principal, embora tenha ganhado outros troféus deste que é o mais tradicional festival de cinema do mundo.

Girimunho e Histórias que Só Existem Quando Contadas são dois filmes radicalmente autorais pelo que se depreende da conversa com seus diretores.

Julia Murat (filha da cineasta Lúcia Murat, que acaba de vencer o Festival de Gramado com A Longa Viagem) já tem umprimeiro filme no currículo, o documentário Dia dos Pais. Nessa estreia na ficção, Julia ambienta a trama no Vale do Paraíba, onde moram onze mulheres de idade sem praticamente qualquer contato com outras pessoas. O cotidiano das senhoras é quebrado pela chegada de uma jovem fotógrafa. “Basicamente é um filme sobre o conflito de gerações, contado com alguns traços de realismo fantástico”, diz a diretora.

Sua expectativa em relação ao Festival de Veneza é muito grande, mesmo porque nunca dele participou. “Espero uma boa acolhida”. O filme deverá estrear no Brasil apenas em abril de 2012.

Girimunho (redemoinho, em “mineirês”) é também ambientado na zona rural, em Minas Gerais naturalmente, Estado de origem dos diretores Clarissa Campolina e Helvécio Marins, ambos da produtora Teia. Por coincidência (ou talvez não) as protagonistas de Girimunho, a exemplo do que acontece em Histórias que Só Existem quando Contadas, são pessoas idosas. Maria Sebastiana, a Bastu, e Maria do Boi, ambas com 83 anos e moradoras em São Romão, contam a própria vida sob forma ficcional. Quer dizer, interpretam-se a si mesmas. O redemoinho que põe as duas em contato é a morte de Feliciano, marido de Bastu.

“Eu acho que vai se comunicar bem com os europeus”, acredita Helvécio Marins. “Em especial porque, ao contrário de meus curtas-metragens, Girimunho é mais narrativo, tem começo, meio e fim”. O filme é resultado de oito anos de trabalho, “feito com muita calma”, diz o diretor, que tem 38 anos de idade e fala mansa. Helvécio também tem boa expectativa em relação ao Festival de Veneza que, badalação à parte, vê com bons olhos o cinema de autor.

Sabe também que é fácil se perder no gigantismo de um evento como esse, em que dezenas de filmes e astros midiáticos disputam a atenção dos espectadores. “Há muita gente que sai das sessões com 10, 15 minutos de projeção, mas quem ficar vai se emocionar com as histórias de Bastu e Maria do Boi”, diz. Helvécio vai ao Lido com tranquilidade: “Procuro não esperar muito de festivais, vou de peito aberto”, diz.
Além de Veneza, Girimunho está também nas programações dos festivais de San Sebastián e Toronto.

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