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Diário de Veneza 2010: De espada na mão contra o poder ilegítimo

Luiz Zanin Oricchio

10 de setembro de 2010 | 17h53

Esse parece que foi selecionado para agradar a Tarantino: Treze Assassinos, de Takashi Miike, é um daqueles filmes de samurai, dirigido por um cineasta cult e refilmado de um “clássico” do gênero, filmado nos anos 1960. Dificilmente, um filme como este estaria num grande festival. Mas, além da presença de Tarantino na presidência do júri, há também o gosto pessoal do diretor da Mostra de Veneza, Marco Müller, um fanático pela cultura oriental e que não tem qualquer preconceito contra o cinema de gênero, como tem mostrado nos últimos anos. Desde que, é claro, ele venha da Ásia.

O próprio Takashi Miike é consciente de que vive uma situação excepcional e fez questão de agradecer, publicamente, ao festival por haver selecionado seu trabalho que, assim, pode ter uma divulgação maior no Ocidente. Não que histórias de samurais nos sejam estranhas, desde que Kurosawa se tornou um nome de culto.

Mas, aqui a questão é outra. A ênfase é muito maior nas lutas do que no próprio contexto de época, ou nas determinações psicológicas dos personagens. Há uma trama política, mas que se apresenta por fiapos. Um nobre samurai, Shimada, recebe o encargo de assassinar o senhor feudal Naritsugu, famoso por sua crueldade. A ele se juntam doze homens determinados e o grupo parte para uma missão que parece um tanto suicida.

E também um tanto subversiva, no fundo. Trata-se, no caso, de matar um detentor do poder, ainda que esse poder seja considerado ilegítimo. Miike preocupa-se em desfazer equívocos: “Sou contrário ao terrorismo, mas tudo depende da época, e das circunstâncias. Essa história não é ambientada tanto tempo atrás. Era quando viviam nossos bisavós. É uma ficção, mas não apenas. Busquei, de forma fiel, o ambiente daquela época. Os jovens japoneses de hoje não imaginam a época em que viviam nossos pais ou avós, em que ordens eram cumpridas e não desobedecidas. Então, um tirano podia ter poder absoluto”.

O filme tem qualidades, é bonito visualmente e se enquadra em certo realismo. Os personagens não flutuam no ar ou sobem pelas paredes como lagartixas, como nos filmes do gênero contemporâneos. Mas as lutas são excessivas. Cansam, pela repetição.

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