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Diário de Veneza (12) Merci, M. Rivette

Luiz Zanin Oricchio

07 de setembro de 2009 | 15h12

Vi vários filmes legais até agora (e outros não tão legais assim). Nenhum deles provocou um, digamos assim, espanto calmo como este 36 Vues du Pic St. Loup, de Jacques Rivette. É misterioso em sua simplicidade e, a cada vez que se tenta resumi-lo por sua sinopse, cai-se numa armadilha. Sergio Castellito faz um homem que se aproxima de um circo mambembe a partir do momento em que presta ajuda na estrada a uma das suas artistas, Jane Birkin. Sabemos que existe algo escondido no passado dessa mulher, e uma dor também. Os artistas se exibem para uma plateia vazia. O tom é de melancolia completa. Mas nada é forjado. A filmagem é límpida, sem qualquer firula. Ficamos (fiquei) com o olhar suspenso, à espera de alguma coisa, uma revelação ou algo do tipo, sem pestanejar, como se estivesse vendo um ótimo thriller. No fundo, acho que era isso mesmo. Na entrevista, Rivette quase não responde às perguntas. Parece frágil, mas é outra coisa. O que mais diz é “não me sinto capacitado para responder”. A certa altura, me lembrei de Bartleby e sua frase refrão “prefiro não fazê-lo.” A uma questão mais direta, respondeu: “Isso não é uma pergunta; é um clichê”. Acho que não faz isso por falta de edcucação. Talvez esteja vendo alguma coisa além e não tenha paciência para perguntinhas. Preciso voltar várias vezes a este filme. Escrever para tentar entendê-lo. Mas já meio sem esperança de, como dizem os franceses, “percer le mystère”.

Como um filme desses faz bem à gente…

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