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Diário de Paulínia: Bróder põe a perifa na fita

Luiz Zanin Oricchio

22 de julho de 2010 | 12h12

Quem foi embora de Paulínia antes do final perdeu uma emocionante sessão, a última dos filmes concorrentes. O documentário Lixo Extraordinário teve acolhida calorosa por parte do público, e o mesmo aconteceu com o longa de ficção Bróder. Festivais precisam ser vistos do começo até o fim, antes de serem julgados, de maneira sumária. O resto é irresponsabilidade. Mas, vamos aos filmes.

Bróder, de Jeferson De, ambienta sua história na dura realidade do Capão Redondo. Três amigos de infância, Jaiminho (Jonathan Haagensen), Pibe (Silvio Guindane) e Macu (Caio Blat), vivem de maneira diferente: Jaiminho é um jogador de sucesso, que atua na Espanha e espera ser convocado para a seleção brasileira; Pibe formou-se em direito e tenta iniciar a carreira a duras penas; Macu está enterrado até o pescoço no mundo do crime.

Sem qualquer paternalismo, mas também sem atenuar conflitos, Jeferson De formula um retrato complexo da periferia paulistana. A violência está lá, mas sem o banho de sangue associado ao favela movie. A esperança também está, mas não à maneira um tanto piegas dos filmes-ONG. Há a pulsão da perifa, que encanta e também assusta, mas ela não é filtrada pelo olhar branquinho e de classe média que tende a ser preconceituoso e moralista. Há, no filme, a sinceridade de quem de fato mergulhou naquele mundo e procurou entendê-lo. Sem preconceitos. Com ternura e também com rigor. Gol de placa, Jeferson.

Posso estar enganado, mas acho que Bróder é sério candidato a vencer o festival.