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Diário de Paulínia 2014. Começo tedioso e um Paulo Coelho razoável

Luiz Zanin Oricchio

23 de julho de 2014 | 10h54

 

PAULÍNIA – A abertura do 6º Festival de Paulínia não poderia ser mais tediosa. Com o Theatro Municipal da cidade (1300 lugares) lotado, discursaram inúmeras pessoas, inclusive e principalmente autoridades locais. Houve um curioso dueto entre o atual prefeito Edson Moura Jr. e o anterior, seu pai, Edson Moura. Numa espécie de jogral, Jr. lançava ao pai perguntas do tipo: “Por que a cidade deve ter um polo de cinema?” O constrangimento era geral quando alguém teve a boa ideia de chamar o ator José de Abreu ao palco. Com sua coloquialidade, ele quebrou o gelo, disse algumas coisas oportunas e deu por finda a cerimônia, para alívio geral.

Antes, já haviam desfilado pelo palco diretores, atores e atrizes internacionais, como Abel Ferrara, Jacqueline Bisset e Danny Glover, entre outros. Uns fazem parte do elenco de filmes da distribuidora Imovision, do franco-brasileiro Jean-Thomas Bernardini, que está completando 25 anos de existência e foi homenageado em Paulínia. Haverá, em paralelo, uma mostra desses filmes. Outros, Glover em especial, sinalizam para esta que é a ambição talvez principal do evento – tornar-se internacional. Tanto assim que trocou de nome e agora atende por Paulinia Film Festival. Bem…

Enfim, se a abertura do festival tivesse sido registrada por um daqueles velhos documentários de Primo Carbonari, diria-se que estiveram presentes “autoridades civis, militares e eclesiásticas. E que todas discursaram, enfatizando a importância da cultura e do cinema para a vida das pessoas.

Quando começou o filme, já eram mais de 22h30 e a plateia estava exausta. Não Pare na Pista é uma cinebiografia um tanto convencional de um personagem pouco convencional – o letrista de rock, mago e escritor Paulo Coelho. Filmando roteiro de Carolina Kotscho, o diretor estreante Daniel Augusto poderia ter sido mais ousado ao retratar a vida de Coelho. Afinal, foi uma trajetória regada a drogas, sexo e rock’n’roll – pelo menos em sua juventude. Em comparação com a trajetória do personagem, a filmagem é meio careta.

Mas tem momentos ok. Por exemplo, no retrato de uma época de desbunde é meio tímido, mas funciona. O relacionamento entre o jovem rebelde e o pai (Henrique Diaz) é um dos pontos altos do filme. Em especial porque Diaz faz de maneira sutil um pai conservador, como eram os da época, porém nunca um troglodita. Há muita música da parceria Coelho-Raul Seixas, o que é ingrediente fundamental da história.

Piores são as passagens de Paulo Coelho envelhecido, com o ator (Julio Andrade) sob maquiagem pesadíssima, em Santiago de Compostela. Como o filme é co-produção entre Brasil e Espanha, fica-se com a impressão de necessidade turística para mostrar as belíssimas paisagens espanholas.

Enfim, não é um desastre, como se poderia temer.

No final da sessão houve uma festa, num dos estúdios de cinema do polo de Paulínia. Havia uma “música”, de gênero, me informaram, Techno, ou algo assim. Tive experiência semelhante quando construíram um edifício em frente à minha casa e acordava de manhã ao som do bate-estaca. Talvez o ambiente na casa de máquinas de um navio seja mais ameno.

Hoje o festival começa para valer, com o início das mostras competitivas.

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