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Diário de Paris (4) Balzac e a arquitetura

Luiz Zanin Oricchio

09 de setembro de 2008 | 05h12

Vocês, que têm a paciência de ler este blog, sabem que comprei outro dia um livro usado de Balzac por 20 centavos. Folheando o volume, achei essa reflexão sobre a arquitetura, que tomo a liberdade de traduzir:

“Os acontecimentos da vida humana, seja pública, seja privada, são tão intimamente ligados à arquitetura que a maior parte dos observadores pode reconstruir as nações e os indivíduos em toda a verdade dos seus hábitos, segundo os restos de seus monumentos públicos ou pelo exame de suas relíquias domésticas. A arqueologia é para a natureza social o mesmo que a anatomia comparada é para a natureza organizada. Um mosaico revela toda uma sociedade, assim como um esqueleto de ictiossauro subentende toda uma criação. De uma parte a outra, tudo se deduz, tudo se encadeia. A causa faz adivinhar um efeito assim como cada efeito permite de remontar à causa. ” (La Recherche de l’Absolu – A Busca do Absoluto, de A Comédia Humana).

Daí que, para Balzac, a descrição minuciosa do ambiente – da arquitetura e das condições naturais – era tão importante para a compreensão dos personagens quanto a ação e diálogos destes entre si.

A natureza “fala”. E a arquitetura fala, pelos cotovelos.

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