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Diário de Paris (3) Gomorra, o “Cidade de Deus” napolitano

Luiz Zanin Oricchio

08 de setembro de 2008 | 20h13

PARIS – Acabei de assistir a Gomorra, num cinema perto do Beaubourg. Filmaço. Seco, denso, sem qualquer concessão. Sobre a Camorra, a máfia napolitana e a história de dois garotos que se encantam pela vida bandida e…Bom, o resto é para vocês verem quando o filme chegar ao Brasil, se chegar. Gomorra ganhou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes e por isso criou a ilusão de que o cinema italiano estaria entrando numa espécie de nova grande fase. Ilusão desfeita com o Festival de Veneza, no qual os quatro filmes concorrentes não chegaram a comover ninguém – e nem o júri. O filme já foi chamado de “Cidade de Deus napolitano”, mas mais pela temática do que pela linguagem. Enquanto o de Fernando Meirelles é mais balançado, mais charmoso, sem perder a força, o italiano aposta no despojamento total. Pauleira pura, e falado o tempo todo em dialeto. Ouvi comentários na Itália de que o filme seria muito bom, etc. mas mostraria ao público estrangeiro uma Itália desoladora, cheia de problemas sociais e de criminalidade. Para eles, roupa suja é coisa que se lava em casa. Acho que já ouvi isso também no Brasil.

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