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Diário de Gramado 2013 – Lima Duarte e os 30 anos de Sargento Getúlio

Luiz Zanin Oricchio

14 de agosto de 2013 | 11h33

 

GRAMADO – Boa a iniciativa do festival de homenagear o filme vencedor de Gramado em 1983. Sargento Getúlio, de Hermano Penna, baseado na obra de João Ubaldo Ribeiro, é um filme histórico por muitas razões. Feito com precariedade de recursos (foi filmado em 16 mm), é um comentário agudo sobre a ditadura e como o autoritarismo desce do ditador de plantão até seus mais humildes prepostos – no caso o truculento Getúlio, que conduz um prisioneiro político. Há também a atuação iluminada de Lima Duarte, como Getúlio, e a não menos de Orlando Vieira, como seu motorista. O filme é brilhante.

Vieram à serra o diretor Hermano Penna e Lima Duarte, que deu uma de suas antológicas entrevistas. Um colega português lhe perguntou se LIma trabalharia de novo com o diretor Manoel de Oliveira, com quem já havia feito feito Palavra e Utopia, interpretando o Padre Antonio Vieira na velhice. O novo projeto é uma adaptação livre de contos de Machado de Assis, em especial de A Igreja do Diabo. Lima respondeu: “A gente precisa se apressar. Eu já estou com 83 anos e o Manoel com 104. Do contrário vamos é conhecer o diabo em pessoa antes de fazer o filme!”

Muito bom o senso de humor. É o que nos salva. Se é que alguma coisa nos salva. Em todo caso, ajuda a viver melhor.

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