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Diário de Gramado 2013 – Lembrando Caio Fernando Abreu

Luiz Zanin Oricchio

13 de agosto de 2013 | 18h08

GRAMADO – O clima por aqui continua indecente, com o perdão do termo. Mas quem aguenta tanta chuva e frio? Bem, mas até que esse tempo chato combinou com o filme sobre Caio Fernando Abreu, Sobre Sete Ondas Verdes Espumantes, de Bruno Polidoro e Cacá Nazário, um dos longas da Mostra Gaúcha. Um belo filme poético, evocando o universo sempre bastante angustiado de Caio F., como ele se assinava.

A opção foi mostrar, de maneira impressionista, esse universo de Caio através dos seus textos, lidos por amigos. E com imagens captadas nos diversos países pelos quais o escritor viajou e viveu. Algumas imagens do próprio Caio, empacotado da cabeça aos pés em algum porto invernal deste planeta. Viaja-se no texto e viaja-se nas imagens e nos sons. É um filme poético, não uma cinebiografia. Às vezes você presta atenção ao texto, outras, apenas na sonoridade das palavras que, se sabe, são música. Ou podem ser música quando bem escritas e tratadas.

Caio F. era uma doce figura. Muito angustiado, muito ligado ao cinema – seus textos têm uma dimensão imagética muito clara. O ator Marcos Breda, que falou antes da projeção, lembrou que era bom ler Caio, e era bom ver Caio também. Porque o texto, evocativo, te leva longe, te abre portas, conduz o leitor/ouvinte a um universo de possibilidades.

Belo filme.

 

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