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Diário de Gramado 2012 Super Nada

Luiz Zanin Oricchio

15 de agosto de 2012 | 13h10

O segundo filme brasileiro em concurso foi o surpreendente Super Nada, do cineasta e professor da USP Rubens Rewald. A surpresa começa com a escalação do elenco, na qual se vê o cantor de sambas Jair Rodrigues, o “cachorrão” que fazia parceria com Elis Regina no tempo do Fino da Bossa. Ele faz o papel de Zeca, ator que encarna o anti herói Super Nada, do título. O outro personagem é Guto (Marat Descartes), ator de pequenos papéis, que sonha ser grande e faz todos os testes para ver se emplaca na profissão.

Rewald diz que Jair Rodrigues não era a sua ideia inicial para o papel de Zeca. Mas ao entrar no elenco, o cantor mudou por completo a concepção da história e do seu personagem. “Tornou-se mais popular, com outra entonação”, diz o diretor. Jair Rodrigues não veio à serra gaúcha, por questões de agenda.

O que se pode e se deve dizer do filme de Rewald é que ele quase nunca caminha no sentido da expectativa do público. Surpreende. É uma imersão no mundo dos pequenos artistas, dos espetáculos semi amadores que existem fora da grande cena das metrópoles e, talvez por sua condição marginal, abrigam o que de mais criativo nelas existe. É também uma reflexão sobre a arte, o envelhecimento do artista, o ridículo da vaidade do star system e coisas assim. Existe muito pensamento por trás de uma ação simples, porém jamais linear ou previsível. Filme para ver e rever.

 

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