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Diário de Gramado 2012: começo com Meirelles, Eva Wilma e dilemas teens

Luiz Zanin Oricchio

11 de agosto de 2012 | 09h33

 

GRAMADO- Vamos lá. Primeira noite de Gramado repaginado – meio que à força, é verdade, por causa de problemas econômicos que forçaram uma troca de guarda.

Enfim, o Palácio dos Festivais está novo em folha. Recebeu uma boa reforma e as cadeiras, sempre as mesmas desde que comecei lá a ir (no tempo em que se amarrava cachorro com linguiça), foram trocadas. Por poltronas, com os indefectíveis porta-copos, o que já é um convite para a alimentaçao dentro da sala. Sem comentários.

Mas as poltronas, como as do Cine Livraria Cultura 1, em Sáo Paulo, são do tipo “falso confortáveis”. Você olha e diz: vou me espraiar. Mas não acha posição para o corpo. Resultado: minha dor ciática voltou à toda. Se eu tivesse tempo buscaria um massagista. Mas, numa cobertura de festival, nem pensar. Tome antiinflamatório.

Bem, houve a primeira homenagem do festival, à atriz Eva Wilma. Ela fez um discurso bem legal, pouco formal e nada piegas. Bacana. É uma bela atriz, mesmo que não tenha feito tanto cinema como deveria. Mas está em São Paulo S/A, o que já é um currículo e tanto para uma atriz. Estranhamente, não se tocou nesse filme de Luis Sérgio Person ao homenageá-la. A memória vai virando uma coisa esquisita no Brasil. Um pudim.

Passemos.  Fernando Meirelles apresentou seu novo filme, 360 (assim mesmo, um número) de maneira simpática, dizendo que era um projeto pequeno, apesar de alguns atores famosos no elenco, etc. Não parece assim. Parece, salvo engano, um típico produto global, com várias histórias se desenvolvendo paralelamente, da garota da Eslováquia que resolve se prostituir à sua irmã, que se envolve com um guarda-costas de mafioso russo, etc. Anthony Hopkins está no elenco, assim com a bela brasileira Maria Flor.

O primeiro concorrente (Meirelles passou fora de concurso) tem nome quilomético: Eu não Faço a menor Ideia do que Tou Fazendo com a Minha Vida. A personagem principal é uma garota que estuda medicina simplesmente porque toda a sua família é de médicos. Arruma um namorado e, com sua ajuda, testa, de maneira criativa, outras profissões para ver se se interessa por ela.

Tem uns lances criativos e engraçados. É uma imersão no universo teen ao qual parece confinado o jovem universitário brasileiro. Matheus apresentou o filme de uma forma meio engraçada, exprimindo sua timidez inteligente. Claro, é uma atitude cool, meio stand up comedy, autodepreciativa, algo entre, digamos, Domingos Oliveira e Woody Allen. O cálculo da coisa não lhe tira o talento cômico. Mas talvez tenha sido extenso demais.

O mesmo pode se dizer do filme, com seus momentos bons, parecendo esquetes isolados, uns mais interessante que outros. A menina que faz a protagonista, Clarice Falcão, é uma graça, de fato. Mas acho o primeiro filme de Matheus, Apenas o Fim, mais criativo do que este.

Ah, mais um detalhe sobre a nova sala de cinema de Gramado. Construíram, dos dois lados do cinema, restaurantes com música ao vivo. Como isolamento acústico é algo que não existe na engenharia tupiniquim, o som vaza para dentro da sala. No filme de Matheus, em seqüências pensadas para o silêncio, ouvíamos uma trilha sonora intrusa composta pelo roquinho vagabundo que tocavam os vizinhos.

Assim não dá, né? Depois da sessão, o diretor paulista Rubens Rewald,  que concorre com seu novo filme em Gramado, veio falar com a gente e expressar sua preocupação. E aí, organização do festival, algo pode ser feito para sanar essa situação absurda?

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