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Diário de Gramado 2012 A morte de Sérgio Silva

Luiz Zanin Oricchio

15 de agosto de 2012 | 13h30

 

GRAMADO. Na noite de domingo, nossos amigos e colegas Ivonete Pinto e Roger Lerina fizeram uma homenagem ao diretor Sérgio Silva no palco do Festival de Gramado. Avisaram que havia alegria pelo reconhecimento a Silva, que havia sido professor de Lerina, e tristeza pelo estado de saúde grave do cineasta, que não pudera subir a serra para receber seu prêmio. Ontem à noite, conversei com Roger e ele me confirmou que o estado de Sérgio era gravíssimo. Sofria de câncer, terminal. Hoje de manhã soubemos de sua morte. Tinha 66 anos.

Sérgio Silva dirigiu mais de 20 filmes entre longas e curtas-metragens. Os mais importantes, que eu saiba, eram Anahy de las Misiones e Noite de São João. Anahy chegou a ganhar o prêmio principal do Festival de Brasília, dividindo-o com Julio Bressane. Foi uma coisa interessante aquele ano: o inventor Bressane dividindo a vitória com Sérgio, que não era um inovador, mas andava sempre em busca de uma dramaturgia sólida. Acho que foi com Anahy (personagem interpretada por Araci Esteves) que ele andou mais próximo do seu ideal.

Minha lembrança dele é de um ser extremamente gentil e carinhoso, que invariavelmente se dirigia a nós como “meu querido”. Sabia ouvir críticas e era dono de uma cultura cinematográfica e humanística digna de inveja.

Lerina fez uma homenagem comovida ao seu antigo professor. Destacou outra característica de Sérgio: o senso de humor, aliás perceptível para todos nós, que não tivemos com ele um convívio mais longo, mas apenas nos festivais de cinema.

Contou a seguinte história. Depois de muito hesitar, Sérgio havia se resolvido a comprar um home theater para sua casa. Para ver os filmes queridos com a melhor qualidade de som e imagem possível. No dia seguinte, para alegria dos amigos, contou que, para estrear esse prodígio eletrônico de som e imagem havia escolhido nada mais nada menos que o clássico O Martírio de Joana D’Arc, de Carl Dreyer.

Ou seja, um filme mudo e em preto-e-branco.

Que descanse em paz.

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