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Diário de Gramado 2010 Ex-Isto

Luiz Zanin Oricchio

14 de agosto de 2010 | 18h04

A crítica, que estava fazendo beicinho para a seleção de filmes deste ano, terminou o festival em estado de graça após a exibição de Ex-Isto, de Cao Guimarães. É, de fato, sublime.

Imagine uma situação interessante – o que teria acontecido caso René Descartes tivesse vindo ao Brasil com Maurício de Nassau? A hipótese serve de fio condutor a uma viagem que inclui o Amapá, Recife, Brasília. Pouco a pouco, o racionalista Descartes, que acreditava ser a razão um bem partilhado por todos, vê esse dom humano derretido pelo calor, pela cultura do país, por tudo enfim que contradiz a boa e velha lógica europeia.

Descartes é vivido pelo ator João Miguel, num filme que procura, de alguma forma, estabelecer não o contato, mas a fricção entre obras tão díspares como O Discurso do Método, do filósofo francês, e Catatau, o livro-rio de Paulo Leminski.

O resultado é brilhante, feito de ideias bem sacadas e imagens de grande beleza e impacto. O som, e a trilha sonora também são fundamentais para o filme.

Na apresentação, Cao pediu paciência ao espectador, preveniu que não se tratava de um filme narrativo e que as pessoas o acompanhassem com a atitude mental de quem faz uma viagem.

Perfeito. É uma viagem e tanto.

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