Diário de Brasília (3): sanfona neles
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Diário de Brasília (3): sanfona neles

Luiz Zanin Oricchio

20 de novembro de 2008 | 11h05

lua

BRASÍLIA – O Milagre de Santa Luzia, de Sergio Roizenblit, levantou a galera no Cine Brasília. É alto-astral mesmo, com suas histórias de sanfoneiros, de norte a sul. O filme apresenta muita música, e ao mesmo tempo, procura mostrar o Brasil sob um ângulo favorável. O diretor, paulistano, se diz cansado de notícias negativas sobre o País. Acha uma tremenda sorte ter nascido por aqui. E usa uma distinção que deve a Ariano Suassuna: existem dois brasis – o Brasil oficial, ridículo, pretensioso e burlesco; e o Brasil real, generoso e criativo. O povo é bem melhor que suas elites, o que, aliás, é do conhecimento geral. Gostei do filme, que poderia ter uma montagem talvez um pouco mais enxuta, sempre preservando a integridade dos números musicais. Poderia abusar menos dos efeitos de pôr-do-sol e céus azulados, que abrem uma brecha para que possa ser acusado de “turístico”, o que seria uma injustiça. Enfim, esse Brasil esse que ele apresenta, para a mídia não vale um tostão de mel coado. Mas é o Brasil real. Ou pelo menos, também é o Brasil real. Esse nós não vemos. A não ser de vez em quando, e no cinema.

Se quiser ler a matéria publicada no jornal, clique aqui.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.