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Diário de Brasília (7): O problema de “Fiel”

Luiz Zanin Oricchio

20 de novembro de 2009 | 13h27

BRASÍLIA – Meio chocho o debate do documentário Perdão, Mister Fiel. A equipe ficou na defensiva, em especial quando as perguntas eram sobre as encenações que reconstroem a vida e martírio de Manoel Fiel Filho, o operário morto nos porões do Doi-Codi em 1976. São toscas e jogam o filme no chão. Durante a entrevista, o diretor Jorge Oliveira, que é jornalista, disse que não gosta de documentários (“acho chato”) e não sabe dirigir atores. Isso explica um pouco o filme, que é importante, mas mal-ajambrado. Tem depoimentos fortes, como os de Geisel e de um ex-militar que testemunha sobre os bastidores dos porões. O filme, porém, é expressão perfeita dos problemas de se representar o buraco negro da ditadura militar, com sua violência incontrolada, a censura, o jogo de poder que às vezes custava vidas humanas. Tudo isso ainda está por ser feito. Em especial no cinema.

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