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Diário de Brasília (5): Curtindo os Novos Baianos numa boa

Luiz Zanin Oricchio

19 de novembro de 2009 | 16h58

BRASÍLIA – Bem legal o documentário Filhos de João, Admirável Mundo Novo Baiano, de Henrique Dantas. É sobre o grupo Novos Baianos e, na verdade, sobre toda aquela época, do desbunde em tempo de ditadura. “Alegria em tempo de terror”, como resumiu Galvão, um dos integrantes. Aliás, Galvão, com 72 anos declarados (só vendo o RG para acreditar), esbanja bom humor e matou todo mundo de rir na entrevista.

O nome do filme vem da constatação de que todo mundo é filho espiritual de João Gilberto, essa aura, essa entidade (mais do que pessoa) que paira sobre a música popular brasileira. João, inútil dizer, não dá depoimento no filme, mas é citado a todo instante, em especial por Tom Zé, um teórico tropicalista daquele momento, e de outros.

O filme tem cenas raras do pessoal dos Novos Baianos jogando bola, fumando (e não aqueles cigarros que o Serra proibiu), conversando. Vivendo em comunidade, como pregava a utopia da época. Todo um clima que, quem viveu, recorda com saudade. E quem não viveu, como é o caso do próprio diretor, também tem o direito de sentir nostalgia mesmo que sem a experiência real.

Baby Consuelo, aliás Baby do Brasil, deu um ótimo depoimento que acabou não aproveitado no filme, por razões financeiras. O engraçado é que no filme se fala o tempo todo que o dinheiro é uma coisa secundária, e é a grana que inviabiliza um depoimento que, segundo o próprio diretor, é iluminado, divino e maravilhoso.

Coisas do tempo e da vida, minha nega.

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