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Diário de Brasília 2012 Em busca do rumo perdido

Luiz Zanin Oricchio

26 de setembro de 2012 | 10h03

Em conversa com jornalistas, no último dia do festival, o coordenador do evento, Sérgio Fidalgo, reiterou o que já havia dito ao Estado dias atrás: tudo está em aberto para o próximo ano e o formato apresentado em 2012 pode ser modificado.

Tomara seja assim, pois, apesar da boa qualidade de alguns filmes, os problemas da fórmula adotada por Brasília ficaram visíveis. Primeiro, não se justifica a divisão rígida entre documentários e ficção numa época em que muitas obras são limítrofes entre gêneros. O caso simbólico aconteceu com Esse Amor que nos Consome que, na dúvida, inscreveu-se nas duas categorias. Foi selecionado como ficção, como poderia ter sido como documentário. Vários outros filmes estão no mesmo caso.

A divisão, parece, foi feita apenas para inchar o festival e atender às reivindicações de classe dos realizadores. Dessa maneira, segmentou-se entre ficção, documentários e animações (estes apenas como curtas). Houve prêmios para todos os lados e gostos. Na noite de encerramento, distribuíram-se nada menos que 70 troféus. Cada um recebido com o inevitável discurso de agradecimento. Imaginem  o tédio da cerimônia. E houve quem sugerisse o televisionamento do evento. Quem veria tal espetáculo?

Com o inchaço de filmes e categorias, as obras deixaram de ser discutidas como se deve – característica mais marcante na tradição de um festival reflexivo e político como o de Brasília. Urge voltar à sua inspiração inicial.

A conclusão é de que falta curadoria ao evento. Um grupo de pessoas qualificadas, capaz de pensá-lo estrategicamente e em nome do seu único fim legítimo, a apresentação de uma amostragem de filmes que retrate tendências e sua discussão em profundidade. O festival está sem rumo e à mercê de grupos de pressão.

 

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