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Diário de Brasília 2012 Eles Voltam

Luiz Zanin Oricchio

19 de setembro de 2012 | 16h43

 

Perguntei a Marcelo Lordello, diretor de Eles Voltam, o que estava acontecendo com a cena cinematográfica do Recife. Estamos acostumados à exuberância de Lírio Ferreira, Paulo Caldas e Claudio Assis. Agora víamos um filme, como o dele, excelente, porém em registro baixo, quase melancólico. Delicado e meditativo. Perguntei se Kierkegaard tinha baixado no Recife. Ele diz que não. Que são diretores diferentes e não se deve pensar numa “escola” de diretores pernambucanos. Quer dizer, todo mundo fazendo filme parecido.

Bom, algo como uma escola já houve. O Árido Movie, do Lirio Ferreira, que aliás, tem um filme com esse nome e almoçou hoje com a gente, com aquela agitação febril de sempre.

Mas acho que é também algo ligado a geração e referências cinematográficas. A anterior era mais Orson Welles, mais Glauber. Lordello fala em Bresson e fala no Bodanzki/Senna de Iracema (boa referência). O tom é mais introspectivo.

“Falam da passividade dessa geração. Ela existe. Acho que não acreditamos mais que para mudar as coisas seja necessário pegar em armas, como nos anos 60”, ele diz.

Mas há algo, talvez, ligado à cena do Recife. A cidade, sedutora e exuberante também, parece cada vez mais ameaçada pela especulação imobiliária e a violência. Há algo de suicida nesse crescimento desenfreado das cidades brasileiras. São Paulo nem precisa ser citada como exemplo terminal. Nesse caso, haveria mesmo um mal-estar recifense que acaba passando para a linguagem mais interiorizada dos filmes. Sai Chico Science e entra o Adaggietto de Mahler, digamos assim.

Eles Voltam é um belíssimo filme. Mostra a trajetória de uma garota de 12 anos, Cris, misteriosamente abandonada pelos pais de classe alta numa rodovia. Ela passa por um acampamento de sem terras, encontra-se com uma prima mais velha, até voltar ao Recife. Tempos mortos, tempo real, numa bela realização.

O filme custou inacreditáveis 60 mil reais.

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