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Diário de Brasília 2011: Ser Tão Cinzento

Luiz Zanin Oricchio

29 de setembro de 2011 | 16h42

Na parte dos curtas, a melhor surpresa foi Ser Tão Cinzento, de Henrique Dantas, que exuma, de modo criativo, a história do filme Manhã Cinzenta e do seu diretor Olney São Paulo, que foi preso pela ditadura e morreu de câncer poucos anos depois de solto, com 42 anos de idade. Foi, de longe, o melhor programa da noite. O curta (quase um média, de 25 minutos) é envolvente do ponto de vista formal, mesclando imagens do filme de Olney tomadas em vários suportes com depoimentos sobre o caso. “Fiquei com medo no início da sessão que as pessoas não seguissem a história, mas acho que curtiram bem o filme”, disse Dantas.

De fato, em termos de cinema narrativo, Ser Tão Cinzento representa um risco. Afinal, poucas pessoas conhecem o caso que motivou o diretor a fazê-lo. A história é a seguinte: em 8 de outubro de 1969, um Caravelle foi sequestrado pelo grupo armado MR-8 e desviado para Cuba. Consta que um dos sequestradores teria levado a bordo uma cópia de Manhã Cinzenta, de Olney São Paulo, e promovido uma sessão durante o voo para o grupo de passageiros sequestrados. Como consequência, o cineasta, que não tinha nada a ver com o caso, foi preso e as cópias do filme, apreendidas e destruída.

Olney foi processado e torturado, até ser absolvido em 1972. Do filme, restou apenas uma cópia, escondida uma lata com título trocado na Cinemateca do Museu de Arte Moderna, no Rio, informou ao Estado o filho do cineasta, Olney São Paulo Filho. É a que existe. Manhã Cinzenta incorpora peças documentais a uma ficção à La Terra em Transe, inclusive com imagens da Passeata dos Cem Mil, no Rio de Janeiro.

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