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Diário de Brasília 2011: curtindo as Hiper Mulheres

Luiz Zanin Oricchio

28 de setembro de 2011 | 08h17

O público de Brasília curtiu o documentário As Hiper Mulheres, que já havia sido exibido no Festival de Gramado.

Filme, digamos, etnográfico, tem dificuldade com o público, mas, neste caso, os diretores conseguiram dar uma dramaturgia interessante ao ritual mostrado. O que conta, além da beleza das imagens e da própria narrativa, é o conteúdo sexual embutido no tal ritual, o que o torna muito engraçado.

É um tema, que eu saiba, um tanto proscrito nos filmes sobre índios. Talvez porque prevaleça a imagem inconsciente do bon sauvage, que não deveria ser conspurcada pela sexualidade. Não sei. Me lembro da leitura do romance Mayra, de Darcy Ribeiro, no qual era a sexualidade indígena, vista como tão natural, que chamava a atenção. Se não me engano, há algo disso também em Quarup, de Antonio Callado. Mas, no cinema, é menos. De qualquer forma, uma boa sessão. Para falar a verdade, revisto, o filme perde um pouco em surpresa e se torna algo redundante.

Na parte dos curtas. Os de animação foram Céu, Inferno e Outras Partes do Corpo, que venceu Gramado; e o ultra sintético Bom Tempo, com um minuto e meio de duração. O primeiro se deixa embalar pela poética de Lupicínio Rodrigues, num estético espedaçamento do corpo amoroso. Interessante.

Ser Tão Cinzento exuma, de modo criativo, a história do filme Manhã Cinzenta e do seu diretor Olney São Paulo, que foi preso pela ditadura e morreu de câncer poucos anos depois, com 42 anos de idade. Foi, de longe, o melhor programa da noite.

Já A Fábrica investe no realismo para mostrar como a mãe de um preso consegue introduzir um celular na prisão para dá-lo ao filho. Há uma virada improvável no fim da história, que põe um bom trabalho a perder.

Foi isso. Apesar das repetições, um bom começo, vai.

 

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