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Diário de Brasília 2010: ecos da final 1

Luiz Zanin Oricchio

02 de dezembro de 2010 | 08h27

Foi o caos. Em meio ao tumulto provocado pelo vazamento do resultado por um portal (UOL), o concorrente mineiro O Céu sobre os Ombros se consagrou como grande vencedor do 43º Festival de Brasíia do Cinema Brasileiro. Além do Candango de melhor filme, faturou os prêmios de direção, roteiro, Prêmio Especial do Júri (para os personagens-atores) e montagem.

É pena que a vitória de um filme tão bonito quanto ousado tenha perdido brilho em razão do vazamento da premiação. Esse tipo de coisa, quando acontecia no passado, sempre prejudicava os festivais. Quem já sabe que ganhou fica sem a emoção da expectativa; quem perde vai embora e esvazia a festa. Hoje, na era da comunicação instantânea e multimídia, o que era ruim tornou-se catastrófico. A notícia entra num site e imediatamente outros o seguem. Todo mundo a recebe em seus laptops, celulares, Iphones da vida que, claro, permanecem ligados 24h por dia e em qualquer lugar.

O que aconteceu, afinal? Simples: a assessoria do festival mandou a lista antecipadamente às redações para que os jornais pudessem publicar o resultado no dia seguinte. O horário de fechamento dos jornais impressos não permite que esperassem pelo fim do anúncio dos vencedores. Havia embargo para o online até o final da cerimônia. Esse embargo foi quebrado e a festa deu com os burros n’água.

Logo no início da premiação, um rumor começou a crescer no Cine Brasília. Pessoas da platéia anunciavam os prêmios antes que a dupla de apresentadores o fizesse. Uma das premiadas, a produtora Andréa Glória, do curta Braxília, interpelou um dos apresentadores, Sérgio Fidalgo, que acumula o cargo de coordenador do festival, e exigiu explicações. Nervoso, Fidalgo não fez jus ao sobrenome e disse à produtora que encerrasse a a perfomance no palco. Depois, mais calmo, pediu desculpas públicas a Andréa.

A cerimônia de premiação prosseguiu em clima tenso até o final. Como todo mundo já sabia quem havia vencido e quem havia perdido, toda a emoção se perdeu. E, quando eventualmente surgia, parecia fingida. A cada entrega de prêmio, parte da platéia aproveitava para xingar o grupo de comunicação responsável pelo vazamento. O produtor do filme vencedor, o cineasta Helvécio Marins, disse ao microfone que esse grupo era notoriamente “contra o cinema brasileiro”. Alguém na platéia gritou: “Eles são contra o Brasil”. Final mais melancólico não poderia haver.

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