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Diário de Brasília (11): E agora, júri?

Luiz Zanin Oricchio

25 de novembro de 2008 | 11h17

Bem, foram exibidos os últimos filmes deste 41º Festival de Brasília, e não se pode dizer que a situação do júri de longas, em particular, tenha melhorado. Tudo isso me Parece um Sonho, de Geraldo Sarno, é um filme que pode render boas discussões – de ordem estética e histórica- mas não me parece de molde a empolgar muita gente. Sarno faz o que seria uma cinebiografia nada convencional de um personagem histórico meio esquecido – o general José Ignácio Abreu e Lima, pernambucano que lutou ao lado de Simon Bolívar e participou da Revolução Praieira, em 1848. Logo o filme converte-se no making of de si próprio, pois Sarno dá-se conta da dificuldade (e mesmo da impossibilidade) de retratar um personagem sobre o qual se sabe muito pouco. O que procura fazer é uma espécie de arqueologia. Usa imagens encenadas com atores para mostrar os momentos finais de Abreu e Lima, velho e escrevendo as memórias. Vai atrás dos traços do general na Venezuela de Hugo Chávez, entra pelos canaviais de Pernambuco e visita velhas usinas desativadas; visita também terreiros de candomblé e, num deles, tem uma iluminação. Anda pelas ruas do Recife com o intelectual Vamireh Chacon e ouve dele uma aula de história. O filme é um exercício de digressão, que não deixa de lembrar, em alguns momentos, a técnica de Glauber em A Idade da Terra. Nem por isso derrotou menos os espectadores. Uma boa metade do Cine Brasília retirou-se em algum momento ao longo dos 150 minutos do longa (e ponha longa nisso) metragem. Os que ficaram, aplaudiram de maneira discreta.

Sobre o júri: soube que a reunião foi até às 5h da manhã. Não deve ter sido fácil. Na volta do café da manhã, encontrei com um deles, de saída. Perguntei se havia dormido bem. Malicioso, me disse que sim. Contou que a discussão tinha ido até a madrugada – “E olha que só tinha filme ruim, hein?”.

Essa edição do festival ainda vai dar muita polêmica. E mal posso imaginar qual premiação esse júri pôde ter feito. Pode dar qualquer coisa.

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