Diário da Mostra 2015 (6). Vocês querem mais dicas e apostas?
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Diário da Mostra 2015 (6). Vocês querem mais dicas e apostas?

Luiz Zanin Oricchio

31 Outubro 2015 | 11h12

Vamos lá: algumas dicas e apostas para hoje, domingo e segunda. Bons filmes a todo mundo!

O Ceifador, a melhor surpresa da Mostra, na opinião do critico

O Ceifador, a melhor surpresa da Mostra, na opinião do critico

Sábado, dia 31

Dia para reviver a comédia genial de Mario Monicelli e conhecer o novo cinema argentino, com o polêmico Paulina, de Santiago Mitre.

Casanova 70, Itália (1965), direção de Mario Monicelli. História do homem, um verdadeiro garanhão, que só consegue fazer amor em situações de perigo. Um dos Monicelli mais divertidos.

Paulina, Argentina (2015), direção de Santiago Mitre. Um dos mais badalados filmes argentinos no exterior (embora atacado pelos Cahiers Du Cinéma). Jovem e promissora advogada decide deixar Buenos Aires para se engajar no ativismo social em região remota do país. Sofre pesadas consequências, mas não desiste. Nesse caso, tendo a concordar com os Cahiers. Achei o filme meio demonstrativo. Tipo: tenho uma tese e coloco meus personagens para demonstrá-la. Me pareceu mecânico. Mas vi gente que adorou. E se mostrou pronta a polemizar. Portanto, vá ver. E tire suas conclusões.

Para Minha Amada Morta, Brasil (2015), direção de Aly Muritiba. Uma das mais surpreendentes estreias na ficção do cinema brasileiro recente. Viúvo (Fernando Alves Pinto) descobre através de fitas de vídeo que era traído pela mulher. O que fazer?

Manila nas Garras da Luz, Filipinas (1975), direção de Lino Brocka. Esse é um dos restaurados a não perder mesmo. Um rapaz chega a Manila atrás do seu amor de infância e descobre que ela virou prostituta. Mergulho no submundo de Manila, em filme tenso, câmera moderna e nervosa. Muito impactante.

Zé do Caixão, Brasil (2015), direção de Victor Mafra. Os dois primeiros episódios da série de TV a cabo dedicadas ao cineasta de Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver, José Mojica Marins. Matheus Nachtergaele, com todo o seu talento, parece-se a Mojica a ponto de incomodar. Retrato do cineasta intuitivo e criador, e reconstituição de como construiu seu personagem, Zé do Caixão, o coveiro blasfemo.

Domingo, dia 1/11

A melhor surpresa da Mostra, O Ceifador, passa hoje, mas há também o programa integral da trilogia Mil e uma Noites, de Miguel Gomes

O Ceifador, Croácia (2014), direção de Zvonimir Juric. Eu classificaria como o filme mais surpreendente (no bom sentido) da Mostra. Mulher sofre pane do seu carro e descobre que ele está sem combustível. Pede socorro a um tratorista que trabalha à noite. Acaba por descobrir que ele cometeu um crime 30 anos atrás. Suspense sutil e intenso. O drama humano em toda a sua dimensão. Belíssimo filme.

Que Viva Eisenstein – 12 Dias que Abalaram o México. Holanda (2015), Direção de Peter Greenaway, Este é para recomendar com cautela, e apenas para fãs do cinema de Greenaway. No filme ele reconstitui a passagem do cineasta soviético Sergei Eisenstein pelo México. Há beleza de cenas, mas há também gratuidade e grosseria.

As Mil e uma Noites, direção de Miguel Gomes. Uma boa é assistir aos três filmes em seguida no Cinesesc. Gomes fala da crise do seu país, Portugal, tomando por modelo narrativo os famosos contos árabes. Muito criativo.

Ryuzo e seus Sete Capangas, Japão (2015), direção de Takeshi Kitano. Esse é para dar mais uma chance a Kitano, que despontou como grande diretor nos anos 1990 e depois foi decaindo. Nesta comédia, ele fala de um membro da Yakusa aposentado, que decide montar um grupo de veteranos e voltar à ativa.

A Ovelha Negra, Islândia (2015), direção de Grímur Hákonarsson. Outro título surpreendente, do foco nórdico da Mostra. Dois irmãos inimigos criam ovelhas no interior do país. Mas algo acontece quando a vigilância sanitária ordena o abate dos rebanhos por causa de uma doença. O filme dá muito mais do que aparentemente oferece.

Um Dia Quente de Verão, Taiwan (1991), direção de Edward Yang. Este é uma imersão de quase quatro horas num cinema impressionante. Yang descreve a vida de adolescentes envolvidos em seus primeiros amores e brigas de gangues. Um filme extraordinário.

Segunda, dia 2/11

Dia de ver os encantos de Ingrid Bergman aos 21 anos, conhecer o novo cinema da Lituânia ou emocionar-se com o humanismo de Ermanno Olmi.

Ponto Zero, Brasil (2014), direção de José Pedro Goulart. Muito boa estreia em longa de ficção do cineasta gaúcho. Acompanha o garoto Enio que, ao buscar fugir da opressão familiar, vive uma noite de cão.  Muitíssimo bem filmado.

Garota Negra, Senegal (1966), direção de Ousmane Sembene. Um dos clássicos do cinema africano, conta a história da garota que é levada para a Europa por um casal francês.

Intermezzo, Suécia (1936), direção de Gustaf Molander. Este é para quem deseja ver Ingrid Bergman (cujo centenário se completou este ano) mocinha. Aos 21 anos, ela interpreta a pianista pela qual um violinista famoso, mais velho e casado, se apaixona. Melodrama de qualidade, mas o que vale mesmo é La Bergman.

O Verão de Sangailé, Lituânia (2014), direção de Alanté Kavaïté. Indicado pelo país para disputar uma vaga no Oscar. Fala da garota que vai passar férias com os pais e descobre o amor e outras coisas da vida. A bela Sangailé luta contra a vertigem de altura, mas descobrirá que a superação é tudo. Meio fashion, mas vale para conhecer o cinema do país.

Os Campos Voltarão, Itália (2014), direção de Ermanno Olmi. Nunca é demais enfatizar a necessidade de conhecer este novo trabalho do veterano diretor italiano. No front de guerra, os medos e os conflitos dos soldados, num filme pungente e de visual belíssimo. Manifestação de um humanista, talvez um dos únicos que restam no cinema.

 

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