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Diário da Mostra 2014. Os brasileiros

Luiz Zanin Oricchio

17 de outubro de 2014 | 09h23

Os 50 títulos anunciados da Mostra Brasil formam um painel bastante interessante da produção do País. Há que se dar um desconto, pois, entre eles, existem alguns filmes mais antigos e consagrados, como Ópera do Malandro (1985), de Ruy Guerra, e mesmo clássicos como O Grande Momento (1958) e A Hora e a Vez de Augusto Matraga (1965), ambos de Roberto Santos. Mas a grande maioria é composta por filmes deste ano.

Entre eles, o esperadíssimo documentário Jian Zhang-ke – um Homem de Fenyang, de Walter Salles, sobre o grande diretor chinês. Outros do gênero, como Osvaldão (vários diretores) sobre um conhecido personagem da luta armada contra a ditadura. E também obras limítrofes, como Brincante, de Walter Carvalho, em que, ao invés de uma cinebiografia de Antonio Nóbrega, o que temos é o multiartista encenando-se a si mesmo.

Essa, aliás, é vertente bastante em voga, como no caso de Branco Sai. Preto Fica, em que Adirley Queirós toma duas vítimas da violência policial no Distrito Federal para encenarem suas próprias histórias, mas sob roupagem de uma ficção científica distópica. O filme foi o grande vencedor do recém-encerrado Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Outras vezes é um memorialismo, expurgado de narcisismo, que dá força a obras como as do iniciante Fellipe Gamarano Barbosa, com Casa Grande, ou do veterano Domingos Oliveira, com Infância. Tanto um diretor como outro tomam experiências pessoais e as projetam na dimensão social que as fazem comuns a todos.

Pode-se dizer que a Mostra oferece um painel mais diversificado da produção brasileira que os festivais de cinema, agora optando por perfis mais específicos.

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