As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Diário da Mostra 2013 – algumas dicas iniciais

Luiz Zanin Oricchio

18 de outubro de 2013 | 09h46

Começa a Mostra. Ou a MOnsTra, conforme alguns a chamam. Um universo de 360 filmes a serem desbravados. Abaixo, algumas dicas iniciais. Vamos voltando no dia a dia. Boa jornada!

Cães Errantes, Tsai Ming Liang. Um retrato dos deserdados, mas traçado de uma maneira muito original. O diretor usa longos planos, sem cortes, às vezes de sete minutos ou mais, mergulhando o espectador numa espécie de transe.

Ana Arábia, Amos Gitai. Uma das obsessões do israelense Gitai, um defensor da convivência entre árabes e judeus no Oriente Médio. Uma repórter visita uma espécie de vila, onde os diferentes convivem. Tudo filmado num único plano sequência, ou seja, sem cortes.

Miss Violência, Alexandros Avranas. Uma das maneiras de interpretar esse filme é vê-lo como expressão doentia da crise grega. Sem qualquer drama moral, um pai explora as filhas. Uma espécie de Nelson Rodrigues, mas desprovido de humor.

Riocorrente, Paulo Sacramento. Talvez forme, com São Silvestre de Lina Chamie, o díptico perfeito de São Paulo, cidade que fascina e assusta ao mesmo tempo. Um triângulo amoroso numa cidade em crise. Incendiária, literalmente.

Um Dia na Vida, Eduardo Coutinho. Você não verá esse filme jamais em circuito comercial por causa dos direitos autorais. Mestre Coutinho registra 24 horas de transmissão televisiva e as monta de modo a fornecer um retrato agudo da nossa condição humana. Ou do que dela resta.

A Mulher do Policial. Philip Gröning. Filme de um rigor e beleza intensos. Mas também de crueldade ímpar. Uma história particular de violência contra a mulher contada em capítulos, friamente. Impressiona.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.