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Diário da Mostra 2011: Frango com Ameixas

Luiz Zanin Oricchio

01 de novembro de 2011 | 13h13

Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, mesmos diretores de Persépolis, vem agora com este ambicioso Frango com Ameixas, saga histórica e pessoal do personagem Nasser Ali Khan (Matthieu Amalric). De acordo com a dupla, o segundo filme é uma espécie de livre continuação do primeiro. Se em Persépolis vê-se a história de uma família surpreendida pela adversidade da guerra, Frango com Ameixas cobriria a história dessa mesma família entre 1930 e 1990.

Tudo começa com imagens de 1958 quando Nasser, considerado o mais célebre dos violinistas do seu tempo, vê seu instrumento favorito ser quebrado. Exigente, e incapaz de substituir o violino, desenvolve intolerância pela música. Passa os dias na cama e se perde em devaneios acerca do passado – e com projeções para o presente e o futuro. O filme adquire o tom de uma rememoração delirante no conteúdo e maneirista na forma.

Além disso, não se preocupa com a cronologia, e põe a narrativa a dar saltos entre passado e presente e vice-versa. A ideia de base (nada contra, em tese) é a montagem de um mosaico temporal, que faria sentido apenas quando todas as peças estivessem colocadas e Nasser revelasse certo segredo, que tem a ver com a música e com o amor.

Não é a falta de linearidade que atrapalha o filme, mas sim a saturação de suas imagens, a densidade informativa que não se justifica pelo conteúdo exposto. Há sim uma aura romântica, acentuada pela presença sempre marcante de Amalric, um dos atores atuais mais carismáticos, mas, que até por isso, não recua diante de exageros e da super interpretação. Aliás, a impressão geral do filme, imposta pela direção, é de algo muito saturado.

O que não quer dizer que não tenha qualidades e nem bons momentos. Tem. Mas é verdade que as ideias vão acabando e a substância rala vai sendo engrossada por um glacê estetizante, altamente calórico e pouco nutritivo. Em outras palavras, a sensação final é de que se comeu um pastel de vento.

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