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Diário da Mostra 2010: Em um Mundo Melhor

Luiz Zanin Oricchio

30 de outubro de 2010 | 08h58

Em um Mundo Melhor, de Susanne Bier, é o representante da Dinamarca na disputa por uma das vagas à finalíssima do Oscar de melhor filme estrangeiro. É um filme de tese, com vagas concessões à simplicidade do cinema comercial.

Propõe duas ações em paralelo. Numa, o cirurgião Anton passa longos períodos na África como médico humanitário. Em outra, na Dinamarca, enfrenta os problemas com seu filho Elia, frágil, que sofre nas mãos de colegas mais fortes na escola. A mulher de Anton, que não agüenta a separação, está pedindo divórcio. Elia ganha um colega bem mais disposto do que ele, Christian, que acaba de perder a mãe, e não hesita em resolver as coisas por meio da ação. Em defesa de Elias, Christian agride um valentão da escola e repõe as coisas em seu lugar. Pelo menos do seu ponto de vista.

Como filme de tese, sente-se que algumas idéias, ou melhor, dilemas, precederam a sua construção dramática. Nem sempre isso é um problema. A questão de Bier pode ser expressa da seguinte maneira: há casos em que a violência só pode ser combatida pela violência? Em outras palavras, existem um uso legítimo da violência, ou ela é sempre má. A diretora tenta ir além de um pacifismo ingênuo e procura dar conta das complexidades do tema. Como faz cinema, e não tese de sociologia, precisa raciocinar e “argumentar” através de ações dramáticas. É lícito um garoto usar uma faca para pôr fim a um caso de bullying? Até onde isso pode levá-lo? Por outro lado, um médico deve salvar a vida de um notório criminoso, que irá usar o resto da existência oprimindo e prejudicando gente honesta?

São questões trabalhadas nesse filme dramaticamente competente. O desfecho talvez atenue um pouco a conseqüência de algumas premissas.

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