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Diário da Mostra 2010: A Mulher dos Cinco Elefantes

Luiz Zanin Oricchio

03 de novembro de 2010 | 12h31

A Mulher dos Cinco Elefantes – eis aí um documentário “pequeno”, que tem por objeto um personagem discreto e, pela forma como é feito, revela-se grande. O filme de Vadim Jendreyko destaca aquele tipo de figura quase sempre habitante da penumbra – um tradutor. Ou melhor, uma tradutora.

Quem é ela? Swetlana Geir, 85 anos, considerada a maior tradutora da literatura russa para o alemão. Acompanhamos um pouco o trabalho da velha senhora. Ela conta com a ajuda de outra mulher, mais ou menos da sua idade, que datilografa (sim, à máquina, nada de computador) as frases à medida que Swetlana as vai traduzindo. Discutem alguns pontos, lá e cá. Afinal, Swetlana é russa, aliás, ucraniana, e, por mais que conheça o alemão, deve atender os conselhos de quem tem o idioma de Goethe como língua materna.

O trabalho passa por um segundo pente fino. Swetlana lê o texto para um especialista em sonoridade do idioma alemão para ver se a frase mantém a musicalidade do original. Ou se consegue se aproximar o máximo possível do que foi escrito na língua de partida. Porque toda tradução, no fundo, é um trabalho impossível. Cada idioma tem sua particularidade, sua personalidade própria, sua música, traz embutida em si toda uma cultura e uma visão de mundo; por isso, é, no limite, intraduzível. Mas o que seria de nós se alguém não nos houvesse franqueado, mesmo com essas limitações, o mundo de Dostoievsky, Checkov, Gogol, Turgeniev?

Além do trabalho em si, Jendreyko, acompanha a trajetória de vida dessa personagem muito particular, que viveu a 2ª Guerra e saiu fugida da União Soviética para uma Alemanha ainda hitlerista. “Traduzir é a minha forma de recompensar o país que me acolheu”, diz Swetlana.

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