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Diário da Itália (22) Perder-se em Veneza

Luiz Zanin Oricchio

06 de setembro de 2008 | 07h47

VENEZA – Com o fim da competição, arranjei um tempo para passear por Veneza à noite – meu horário favorito. Peguei um vaporetto no Lido e fui a San Marco. Deixei-me levar ao acaso pelas ruelas da cidade, andei, andei, andei. Parei em pontes, campi e campielli, fumei umas duas ou três cigarrilhas Montecristo que havia comprado em Lima. Sentei na piazza e esperei os Mori tocarem o seu relógio secular. Tomei um sorvete de pistache. Perto do Rialto, notei uma multidão. Foi ver o que era. Uma festa da Rifondazione Comunista em benefício do jornal Liberazione. Tomei um chope (uma birra a la spina) e deixei uma contribuição. Tudo muito agradável.

Afastei-me da festa e entrei por becos suspeitos. Tentei -e consegui – reencontrar aquela velha magia, o ar de mistério que se respira nesta cidade, apesar da multidão de turistas e da atual predação publicitária. Veneza é incomparável, pelo menos nesse aspecto. Passeando, encontrei-me por acaso com Julio Bressane e Rosa Dias, eles também vagando ao léu. “Perdido por aí?”, perguntou o Bressane. E respondi que o melhor de Veneza era perder-se nela. Deixar-se levar. No que ele concordou. O casal foi para o seu lado e eu, para o meu.

Depois jantei um canelloni com funghi, perto da Piazza San Marco, bebi um ótimo vinho, fumei mais uma cigarrilha, peguei o vaporetto e voltei ao Lido.

Hoje à noite sai a premiação do festival. Quem ganha o Leão de Ouro? Pouco importa. O que se sabe é que logo esse filme será esquecido.

Mas Veneza é eterna.

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