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Diário da Itália (13) Bressane bem recebido

Luiz Zanin Oricchio

01 de setembro de 2008 | 16h40

A Erva do Rato, de Julio Bressane, teve uma excelente primeira sessão no Festival de Veneza. Apresentado à tarde, na sala PalaLido, foi longamente aplaudido no final. Certo, não havia lotação completa – os filmes de Bressane, mesmo em festivais, são para poucos. Mas as cerca de 300 pessoas presentes deram mostras de terem adorado o filme. Antes do início da sessão, o Estado conversou com a atriz Alessandra Negrini, pela segunda vez, protagoniza um filme do diretor – ano passado ela foi a intérprete principal de Cleópatra, que estreou aqui mesmo em Veneza. “Não vi ainda o filme, vou ver agora pela primeira vez no que deu o trabalho com o Julio”, disse, meio nervosa. Ao final, aliviada pela boa recepção, ela abraçava o diretor que, depois de vários minutos de aplauso, acenou com lencinho branco para o público.

Nesse novo filme, Bressane faz uma livre adaptação de dois contos de Machado de Assis – Um Esqueleto e A Causa Secreta. Tira alguns elementos dos dois textos e os recombina com originalidade em seu universo particular. Alessandra Negrini e Selton Mello formam o casal que procura manter a paixão sensual através de jogos amorosos. Ele tira fotos da mulher nua. Entra um terceiro elemento na relação; e talvez um quarto. Com esses elementos fragmentos narrativos, Bressane arma uma reflexão das mais interessantes sobre o amor, a morte, a paixão, o sexo. Ou seja, sobre alguns dos grandes temas universais da vida humana. Deslumbrante a fotografia de Walter Carvalho, dando ao filme uma concepção visual rigorosa, de pintor. Num festival que não tem conseguido evitar a banalização das imagens, o uso intensivo de recursos de computador, etc, ver um filme desses equivale a colocar um colírio nos olhos.

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