As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Diário da Itália (1)

Luiz Zanin Oricchio

25 de agosto de 2008 | 18h46

VENEZA – Viagem massacrante, como sempre. São Paulo-Paris-Veneza-Lido. Total: mais de 20 horas. Pelo menos desta vez a mala não sumiu. Compensações: chegar a Veneza no final da tarde, apreciar, meio sonado no barco, a chegada ao Lido. O desenho das casas, os canais, a luz. Deve ter sido mole ser pintor por aqui – está tudo à vista, escancarado, sem fazer pouco de Cannaletto, um dos meus favoritos.

Largo a bagagem no hotel, alugo uma bicicleta e me mando para o Cassino, sede do festival, para checar se não tem mesmo filme à noite para a imprensa. Não. O circo está sendo montado, em frente ao mar, à laguna para ser exato. Reina o caos, que amanhã parecerá ordem. Volto para o hotel, pela Lungomare Marconi, passo em frente ao Hotel dês Bains e penso em Visconti. Morte em Veneza. Inevitável. Certas imagens aderem a outras.

Janto, sou devorado pelos pernilongos. Zanzari – como eles chamam aqui. Estão ferozes como nunca. Deve ser o calor. Vou para a cama cedo. Amanhã é dia de credenciamento. E, se não me engano, a maratona deve começar em seguida. É o circo dos festivais movendo a sua roda. Enquanto janto, leio o jornal local, o único que consegui no fim da tarde: o Gazzettino di Venezia. Uma matéria chama a atenção pela polêmica. Estão restaurando o Palácio Ducal e acusam os restauradores de haverem enfiado uns cabos de ferro no precioso mármore ducal. Um crime de lesa-patrimônio, dizem. Amanhã vou ver in loco, se tiver tempo. Da minha janela, do outro lado da laguna, o palácio magnífico parece intacto. Vamos ver o que fizeram com o edifício.

Comm’è bella la mia Venezia, suspirava o meu avô, em seus momentos de nostalgia. Nunca pôde voltar para cá, por um motivo ou por outro. Volto por ele.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: