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Devemos estudar o São Paulo?

Luiz Zanin Oricchio

25 de novembro de 2008 | 10h41

Amigos, quem assistia ao Chacrinha lembra dele dizendo que aquele era um programa que “só acaba quando termina”. Pérola do nonsense, mas que vale (e como!) quando o assunto é futebol. Jogo da bola não tolera comemoração antecipada, e já vi muito marmanjo chorar ao perder uma partida, ou taça, que acreditava ter no papo.

Dito isso, e fazendo a ressalva de que o futebol é o futebol, “caixinha de surpresas, etc.”, é claro que o São Paulo já está com uma mão e vários dedos da outra na sua sexta conquista de Brasileirão, a terceira seguida. Pode perder fôlego e deixar algum adversário atropelar na final? Pode. Mas, quem, em sã consciência, acredita nisso? Já houve precedente, e não faz muito tempo. Em 2004, o Atlético-PR estava também com a taça na mão, mas perdeu embalo nas últimas rodadas e deixou o Santos passar.

Só que as condições eram outras e o São Paulo me parece sólido e competente demais para deixar escapar um título que lhe caiu no colo.

Caiu? É isso: caiu no colo. Como definir de outro modo a situação? O Grêmio, com 12 pontos de vantagem, vai perdendo fôlego rapidamente até chegar à situação atual, cinco pontos atrás do rival? E ainda se dando “ao luxo” de perder um jogo por 2 a 4, contra o Vitória, que nada mais aspira (e nem teme) na competição? Muricy tem falado muito nessa recuperação. Houve época em que o próprio time havia desacreditado da conquista e preparava-se para disputar apenas uma vaga para a Libertadores, vaga que, para os são-paulinos, soa como nada mais do que a obrigação.

De modo que, salvo algum acidente de percurso, os colunistas esportivos de todas as tendências já estarão se preparando para analisar o “caso” São Paulo. Sim, porque se existe hoje uma hegemonia no futebol brasileiro é a do tricolor, que será sacramentada com esse título. Vamos analisar muitos itens, tentando entender o segredo do São Paulo. Condição financeira sólida? Sim, mas dentro dos limites de solidez do futebol brasileiro, o que não é dizer muito. Concepção democrática, com oposição forte e alternância no poder? Mais ou menos, embora não haja, no Morumbi, aberrações de continuísmo, como em clubes que são ou foram até pouco regidos por monarcas de direito divino e não por presidentes civis. Diz-se que o São Paulo tem estrutura funcional estável e que a entrada e a saída de um técnico não altera todo o esquema, como acontece em outras partes. Aposta na infra, naquilo que os boleiros chamam a torto e a direito de “estrutura”? Sim, mas outros clubes também dela dispõem, se por isso se entende o meio físico favorável, equipamentos modernos e bons profissionais de apoio. O segredo seria Muricy Ramalho? Talvez, porque é o técnico em melhor momento – e estranhamente muito bem cotado pela mídia, que parece deleitar-se com seu mau humor militante.

Sim, o São Paulo merece ser estudado e, se não me engano, todas as conclusões irão confluir num ponto comum – é o mais profissional dos clubes brasileiros. Da minha parte, concordo com tudo e todos, só me reservo o direito de achar que não existe uma maneira única de obter conquistas. Os outros clubes, hoje perdedores ou desesperados, não precisam se transformar em imitações do São Paulo para se tornar vencedores. Há mais de um caminho para chegar ao fim do arco-íris e colher o pote de ouro. Pelo menos, é o meu credo pessoal.

(Coluna Boleiros, 25/11/08)

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