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Deu a Louca nos Bichos

Luiz Zanin Oricchio

24 de maio de 2010 | 15h45

Brendan Fraser (Dan Sanders) é um corretor de imóveis à frente de um empreendimento em área protegida. Quer dizer, é um predador. Veio de Chicago, com mulher e filho a tiracolo, com o discurso de que precisa investir na qualidade de vida. Na verdade, pretende fechar o negócio para o seu patrão, e este, por sua vez, está atrás de capital indiano. O que os especuladores não prevêem é uma revolta dos bichos da floresta, comandados por um guaxinim de maus bofes.

A curiosidade (se há uma) é a presença no elenco da ex-ninfeta Brooke Shields (a mesma de Pretty Baby, o filme de Louis Malle), agora, claro, já em plena maturidade e fazendo papel de mãe. Ela é Tammy, a mulher do personagem de Brendan, e mãe de um adolescente problemático (o que chega a ser redundância).

Como se poderia prever, o filme, dirigido por Roger Kumble, usa e abusa dos efeitos digitais. Afinal, precisa colocar em cena bichos inteligentes e criativos e isso, quando se trabalha com animais verdadeiros, é sempre um complicador a mais. Com a computação gráfica tudo ficou mais simples, mas a perda é clara em termos de realismo. Em especial quando se vê na tela uma multidão de animais em ação, quando então os efeitos especiais ficam mais do que evidentes. De qualquer forma, sempre se pode argumentar que o tom escolhido é o de fábula e por isso não existe grande preocupação com a verossimilhança. Em todo caso, os efeitos poderiam ser melhores.

Deu a Louca nos Bichos é a uma aventura infantil, de cunho ecológico, isto é, cheia de boas intenções e com alguns (poucos) momentos de graça. O público-alvo é o infantil, o que não deveria se confundir com infantilizado, mas é o que com freqüência acontece. A mensagem preservacionista é ok, e, de fato, é uma das grandes preocupações contemporâneas, em especial no Primeiro Mundo, que já fez o bastante para destruir a natureza e agora posa e ecologicamente consciente. Em todo caso, é positivo que essa mentalidade seja passada a crianças, para que não repitam no futuro o que seus pais praticam no presente.

Nada disso desculpa o roteiro pouco imaginativo e, por isso mesmo, bastante previsível. Com exceção de uma ou outra cena mais inspirada, Deu a Louca nos Bichos cai mesmo é na mesmice e oferece poucos motivos para risadas e diversões.

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